segunda-feira, 11 de maio de 2009

ATOR DE CANGAÇO VENCIDO PELA DENGUE


Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião, interpretado pelo ator Val Kakau (foto) foi acometido pelo mal da dengue. Quer dizer, não o personagem, mas sim o ator. É que ator e personagem se confundem e então a gente acaba dizendo que quem pegou a dengue foi Lampião e não Val Kakau.
Na manhã de sábado (9) foi levado ao Pronto Socorro do Hospital Regional Luís Viana Filho, em Ilhéus, onde foi diagnosticado o fato. Depois de medicado, foi liberado e encontra-se em repouso. Estamos torcendo para que Virgulino, digo, Val, se recupere logo para a apresentação de quinta-feira, na Faculdade de Ilhéus. Companheiros e amigos desejam melhoras!
"Senti um formigamento, tontura e tudo que eu comia colocava pra fora", declarou o cangaceiro, ou melhor, o ator. As autoridades sanitárias ainda não sabem onde Val adquiriu a dengue. Mas, desconfiam que a Central de Abastecimento, no Malhado, reduto do Cangaceiro, está infestado do mosquito assassino. A população está assustada: "Se até Lampião foi atingido, que dirá de nós, pobre coiteiros", pilheriou um vizinho do ator.

sábado, 9 de maio de 2009

CANGAÇO NA FACULDADE DE ILHÉUS


O espetáculo teatral Cangaço – Prêmio de Apoio a Montagem de Teatro do Estado da Bahia - foi convidado para abrir a IV Feira de Negócios e Oportunidades da Faculdade de Ilhéus. A apresentação será às 20h30, desta quinta-feira, dia 14 de maio. Será uma oportunidade ímpar para os universitários conhecerem de perto o trabalho do Grupo Teatro Total.

Desde que teve sua estreia em abril deste ano, a peça tem sido aplaudida e elogiada em cada apresentação. “É fato que precisamos melhorar ainda mais. São as apresentações que permitem a lapidação da obra. O elenco vai se fortalecendo cada vez que pisa o tablado. Afinal, a experiência parte do princípio da convivência diária e as sucessivas apresentações”, enfatiza o diretor do espetáculo Pawlo Cidade.

Na opinião da professora Maria Luiza Heine, responsável pela pesquisa histórica do texto e professora titular da instituição: “A apresentação de Cangaço fortalece a relação entre a Faculdade e a classe artística local. A Faculdade também busca a interação entre Cultura e Educação, pois elas não podem viver dissociadas”.

A entrada para assistir ao espetáculo será franqueada aos estudantes, professores e a comunidade e acontecerá no auditório Adélia Melo. O apoio cultural é da Fundação Cultural de Ilhéus e do Diário de Ilhéus e o apoio institucional da Fundação Cultural do Estado da Bahia, Fundo de Cultura, Governo do Estado da Bahia, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura.

sábado, 2 de maio de 2009

NOVO CURSO DE PROJETOS EM JULHO


Previsto para os dias 02 e 03 de julho, a Associação Comunidade Tia MARITA estará promovendo mais um curso de Elaboração de Projetos. Desta vez o foco irá recair sobre os “objetivos”. “Traçar bem o que se deseja num projeto cultural é de fundamental importância para a consecução de suas metas”, afirma a vice-presidente da Comunidade, Viviane Siqueira.

O curso será coordenado pelo professor e agente cultural Pawlo Cidade, que também preside a Comunidade. Segundo ele, “o objetivo – principalmente o objetivo geral – deve dizer o que o empreendimento faz e que quer alcançar. Algumas questões devem permear o objetivo geral, pois elas também podem dar a direção, o tom e a formação da equipe. É preciso declarar amplamente e explicar o que seu empreendimento quer alcançar; explicar a natureza do empreendimento e seus princípios; colocar de maneira geral para poder adaptar a mudanças e circunstâncias; deve ser curto e claro; inspirar compromisso, inovação e coragem”.

ONGs, grupos culturais, empresários, profissionais liberais, professores e estudantes podem participar da oficina. As inscrições são gratuitas e devem ser feitas pelo e-mail: comunidadetiamarita@hotmail.com

Sua inscrição será validada após e-mail de confirmação.

Calendário de editais 2009 é divulgado pela Secult-BA

A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult-BA) divulgou na quarta-feira, 25 de março, o calendário de seleções públicas para 2009, entre editais e “chamamentos”. Entre as 40 seleções públicas previstas para os próximos três trimestres, algumas contemplam categorias inéditas, como Obras em Patrimônio (execução de obras de restauração de bens imóveis tombados), Dinamização de Museus (voltado à preservação e difusão de acervos pertencentes a instituições museais privadas e comunitárias), Produção Dramatúrgica (criação de texto teatral inédito), Festivais e Mostras de Audiovisual, Bíblia para Animação (produção de episódio-piloto e desenvolvimento de projeto completo de série de animação) e fortalecimento e apoio à implantação de arquivos baianos. Alguns desses novos editais serão lançados como respostas da Secult-BA a demandas verificadas junto à sociedade.O Calendário de Seleções Públicas para 2009 da Secult-BA também abrange áreas como residência artística no exterior, montagem de dança, curadoria e montagem de exposição, produção de conteúdo digital em música, produção de longa e curta-metragem, edição de livros de autores baianos, criação literária, fomento à leitura e a bibliotecas comunitárias e apoio ao circo, entre vários outros.
Clique aqui: http://www.cultura.ba.gov.br/noticias/plugcultura/calendario-de-editais-2009-e-divulgado-pela-secult-ba-1 e confira o Calendário de Seleções Públicas para 2009.

terça-feira, 14 de abril de 2009

LAMPIÃO - UMA VIAGEM PELO CANGAÇO


Como todas as lendas que tendem a tornar-se maiores que os fatos, Lampião e sua saga pelo nordeste brasileiro contem todos os elementos de aventura, romance, violência, amor e ódio das grandes histórias da humanidade. Jogado na clandestinidade após o assassinato de seu pai, Lampião foi o maior cangaceiro (nome dado aos foras-da-lei que viveram de forma organizada, no final do século passado e início deste, na região do nordeste brasileiro) de todos os tempos.
Percorreu sete estados da região nordeste durante as décadas de 1920 a 1930, levando sangue, morte e medo à população do sertão. Causou grandes transtornos à economia do interior e sua história é um misto de verdades e mentiras. No início da década de 30, mais de 4 000 soldados estavam em seu encalço, em vários estados.

Seu grupo contava então com 50 elementos entre homens e mulheres. Tornou-se amigo de coronéis e grandes fazendeiros que lhe forneciam abrigo e apoio material. Lampião é odiado e idolatrado com igual intensidade, estando sua imagem viva no imaginário popular mesmo após 70 anos de sua morte. Sua influência nas artes - música, pintura, literatura e cinema - é impressionante.

Para apreciar de perto parte dessa história, fartamente ilustrada com fotos e documentos da época, o Grupo Teatro Total, dirigido por Pawlo Cidade e em cartaz com o espetáculo CANGAÇO, em parceria com a Fundação Cultural de Ilhéus e a empresa DANA apresenta a exposição: LAMPIÃO - UMA VIAGEM PELO CANGAÇO. São 24 painéis do Projeto “Cultura Itinerante Dana”. A Dana é uma empresa fornecedora de tecnologias para eixos, cardans, chassis, estruturas, vedação e gerenciamento térmico e de componentes de reposição originais do segmento automotivo. Sediada em Toledo, nos Estados Unidos, a Dana emprega 25.000 colaboradores em 26 países e tem filiais em São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná.

A exposição poderá ser vista no foyer do Teatro Municipal de Ilhéus até o dia 24 de abril, com visitação em horário comercial. A entrada é gratuita.

sábado, 14 de março de 2009

PROJETO QUINTAS DO TEATRO

Funceb lança edital para a a seleção de 20 (vinte) propostas de apresentações de espetáculos teatrais, inéditos ou não, de grupos, companhias ou artistas independentes do Estado da Bahia, de teatro de sala e de rua, profissional e amador, para compor o Projeto Quintas do Teatro, nas categorias a seguir.1. CATEGORIA 1: 16 (dezesseis) propostas de espetáculos de “teatro de sala”;2. CATEGORIA 2: 04 (quatro) propostas de espetáculos de “teatro de rua”.Cada proposta selecionada fará apresentação única que deverá ser seguida de debate com o diretor do espetáculo, membros do grupo e/ou convidados. As apresentações serão realizadas no Cine-Teatro Solar Boa Vista e no Espaço Xisto Bahia, em Salvador, 10 (dez) em cada local, exceto os espetáculos de “teatro de rua”, que deverão acontecer ao ar livre, preferencialmente em espaços públicos do Centro Histórico de Salvador ou bairros periféricos, entre os meses de julho e outubro de 2009, em datas a serem definidas pela FUNCEB. Cada proposta selecionada receberá um cachê no valor bruto de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Buscando incentivar o desenvolvimento do teatro em todo Estado da Bahia, fica assegurada a seleção de, pelo menos, 06 (seis) propostas de proponentes residentes no interior. Os proponentes do interior selecionados receberão uma ajuda de custo para transporte no valor de até R$ 150,00 (cento e cinqüenta reais) por pessoa, a ser definido pela FUNCEB conforme a distância da cidade de origem, além de hospedagem pelo período de 02 (dois) dias para a equipe. O Projeto Quintas do Teatro prevê a realização de apresentações a R$ 2,00 (dois reais) a inteira e R$ 1,00 (um real) a meia. A verba arrecada com a venda de ingressos será revertida para o Cine-Teatro Solar Boa Vista e Espaço Xisto Bahia. O valor total em cachê disponível para as propostas selecionadas será de R$ 100.000,00 (cem mil reais), mediante recursos provenientes da Fundação Cultural do Estado da Bahia. As inscrições presenciais serão realizadas no período de 16 de fevereiro a 08 de abril de 2009, na sede da Fundação Cultural do Estado da Bahia - FUNCEB, de segunda a sexta-feira, das 14 às 18h, no endereço Rua Gregório de Mattos, 29, Pelourinho, Salvador. Para saber mais www.cultura.ba.gov.br/apoioaprojetos/editais/apresentacao

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

VIVA A ARTE EM VOCÊ E NÃO VOCÊ NA ARTE


Tentar, experimentar. Estes são os princípios do ensaio. Com ele e por meio dele vão surgindo as cenas e o espetáculo. Entre possibilidades e experimentações, o ator vai descobrindo que pode avançar, que pode sempre ir um pouco mais. O teatro, segundo Peter Brook, talvez seja uma das artes mais difíceis porque requer três conexões que devem coexistir em perfeita harmonia: os vínculos do ator com sua vida interior, com seus colegas e com o público. É, através do ensaio e consequentemente nas apresentações do espetáculo, que o ator vai fortalecendo estes vínculos e permitindo uma atuação mais orgânica, mais visceral.

Nesse sentido – e Renato Ferracini foi feliz ao afirmar isso no seu trabalho sobre o grupo Lume de Campinas – o ator em Estado Cênico é um ser múltiplo por natureza e toda e qualquer reflexão do trabalho de ator, mesmo que se possa definir de maneira clara o recorte de discussão, jamais poderá ignorar completamente as relações multidimensionais e multifacetadas de seu trabalho.

O gaúcho Daniel Freitas acredita que para um ator dominar seu corpo e a técnica de atuação seja ela qual for significa saber o que ocorre com seu corpo, a teoria que envolve ele e saber se expressar verbalmente sobre seu estudo teatral pessoal.
É comum os estudiosos de teatro identificarem outra dimensão – que não a orgânica. Trata-se da “técnica”. Ou seja, a faculdade operativa do ator em articular sua arte de maneira concreta. Uma vez dominada essa habilidade o ator a partir de sua criação estaria pronto para animar esta “técnica” dando-lhe “vida” e organicidade. Talvez criando aí um dualismo no trabalho do ator entre Forma e Vida.

A busca de uma criação orgânica, em que o ator esteja inteiro e integrado na ação cênica e a dimensão estética e ética, trouxe para o teatro a recuperação do seu verdadeiro sentido: "viva a arte em você e não você na arte". Este conceito tornado prática nas experiências do teatro foi proposto pela primeira vez pelo mestre Stanislavski. Ela vem trazer uma nova dimensão a esta arte: a união do homem e do artista, a dedicação, a generosidade, a disciplina, a sensibilidade, a formação constante do ser inteiro do ator, o jogo dialético da interioridade e da exterioridade.
Num primeiro momento, Stanislavski busca abrir o caminho das potencialidades criativas de seus atores. Potencialidades profundamente ocultas, que serão descobertas durante o processo de trabalho, através de atividades que preparem o ator para o trabalho criativo. Ele vai buscar no inconsciente a fonte para esse processo. "Não me falem de sentimentos, não podemos fixar sentimentos, só podemos fixar as ações físicas".

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

PRECISAMOS PENSAR NO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO


Pense num tombo feio. Feio mesmo. Capaz de deixar seqüelas irremediáveis. Pois é assim que acontece por quem não pensa num processo gerencial que permita a definição do direcionamento a ser adotado por uma organização – cultural ou não -, com o objetivo de buscar maior eficiência na sua relação com o ambiente. Isso porque um processo como esse envolve a formulação de objetivos e a seleção de programas de ação, a partir da análise das condições internas e externas às quais a instituição está submetida.
Bem, afinal, de que estamos falando? Referimo-nos ao Planejamento Estratégico. A idéia de estratégia remete à efetuação de escolhas. O planejamento estratégico representa para os gestores, portanto, a possibilidade de selecionar, entre os vários caminhos possíveis, aqueles que se apresentam como mais adequados para se alcançar os objetivos traçados para a organização.
Vasconcelos Filho e Pagnoncelli definem planejamento estratégico como “o processo que mobiliza a empresa para escolher e construir o seu futuro”. Apresentam essa ferramenta como a técnica essencial para o sucesso no século XXI, “uma vez que torna as organizações aptas a atuarem no contexto de grande volatilidade no qual estão inseridas”, complementa Rômulo Avelar em seu livro “O Avesso da Cena – Notas sobre produção e gestão cultural”.
Necessariamente, e é bom que se diga, o planejamento estratégico passa também por um entendimento daquilo que se sonha e daquilo que se deseja para a empresa. Ao pensar assim caímos no campo da missão e da visão. A Visão é um sonho de longo prazo, que é, essencialmente, um sonho que nunca será atingido. Pode parecer fora de propósito, mas o objetivo aqui é justamente que a Visão esteja sempre um pouco fora de alcance. A perseguição desse sonho é o que deve manter sua empresa viva.
A Missão é aquilo que você quer que sua empresa seja. Deve ser desafiadora, mas atingível. Uma declaração de missão bem feita deve deixar claro que você entende qual é o negócio, tem uma estratégia definida e sabe como atingir seus objetivos.
Muitas empresas já escreveram declarações de Missão e Visão, uma moda que começou a se espalhar no Brasil no início da década de 90, com os programas de qualidade total. Contudo, muitas empresas fazem suas declarações de uma maneira muito pobre, apressadamente e, muitas vezes, talvez fosse melhor nem fazer.
O trabalho do planejamento estratégico resulta na confecção de um plano de ação, documento com linguagem necessariamente direta e acessível, que serve de guia para as ações futuras da organização. É importante salientar que a atividade não se esgota com a implementação daquilo que foi previsto no plano de ação. É fundamental que se trabalhe numa perspectiva de continuidade, com avaliações sistemáticas e correções de rumos, adotando-se uma dinâmica permanente de gestão estratégica.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

QUE VENHA O FORTEATRO-SUL!


O Território de Identidade 5 - Litoral Sul, composto por 27 cidades, desde o final dos anos de 1980 tenta desenvolver atividades que gerem impactos socioeconômicos como alternativas à cacauicultura, que apresentou considerável declínio em virtude da praga conhecida como vassoura-de-bruxa. Nesse sentido, ao lado da indústria do turismo e da prestação de serviços como um todo, o Território vê na área de cultura uma possibilidade de desenvolvimento humano e também de geração de postos de trabalho.
Embora a Região seja berço de grandes expoentes da cultura brasileira, a exemplo de Jorge Amado, Adonias Filho, entre outros, além de abrigar rico imaginário cultural acerca dos coronéis de cacau, música e dança popular, etc., há no presente momento uma nítida carência de capacitação e profissionalização da cultura. Há também ausência de espaços adequados para apresentações artísticas e falta generalizada de investimento no campo cultural, de modo a criar melhores condições para o mercado artístico e estimulo da permanência dos artistas na sua própria região de origem.
Por assim considerar, entende-se que o intercâmbio entre grupos culturais do Território possa contribuir para uma necessária organização cultural regional, além de revelação de novos talentos. E o teatro, por sua vez, com sua vinculação à música e outras linguagens artísticas, é um veículo de expressão, discussão e denúncia dos problemas e fatos sociais, capaz de fomentar transformações no modo de pensar, agir e sentir de uma sociedade.
Portanto, a proponente: Sociedade Filarmônica Capitania dos Ilhéus, vê o Teatro como um elemento afim e propulsor de reconstrução da cidadania. O Teatro permite conhecer-se e conhecer o outro, condição indispensável para o trabalho em grupo de toda e qualquer atividade artística ou social.
A proposta do Formação em Teatro e Cidadania Território Litoral Sul da Bahia - Forteatro-Sul é uma ação de fomento à cultura nos municípios do Território. Visa ao fortalecimento dos grupos de teatro e suas intercessões com a música e outras artes existentes através de oficinas de formação para melhoria da qualidade artística, além de proporcionar amplo intercâmbio entre os diversos grupos.
Assim, a proposição parte do princípio de que toda a concepção cênica de cada oficina de interpretação nasce a partir da história do local em que o indivíduo está inserido e que com ela e por meio dela é possível refletir sobre os problemas que o cercam. E isso se constitui importante possibilidade de transformação de recursos culturais em produtos que contribuam para a realização humana e para a geração de postos de trabalho na Região.
Bem, com esta proposta vencemos o Edital Território Cultural e iremos trabalhar este projeto em 15 cidades do Litoral Sul. Parabéns, Letto Nicolau, Pawlo Cidade, Samuel, Romualdo Lisboa!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O SOCIAL É O LADO OBSCURO DA CULTURA





Participamos, em Belo Horizonte, no período de 04 a 07 de novembro de 2008, do I Seminário Internacional de Gestão Cultural e algumas discussões nos deixou incomodados. Incomodados no sentido de que é preciso o tempo inteiro revermos alguns conceitos que permeiam ao longo de nossas vidas. Queremos nos ater apenas à área cultural, na qual militamos e temos contribuído com o Território Litoral Sul.
Iniciamos com as preocupações de Marta Porto (RJ) da “X BRASIL” ao abordar a questão da cooperação como sendo uma possibilidade de encontro, onde a idéia da experiência mostra que o indivíduo na Cultura sempre entra de um jeito e sai do outro. A idéia desta experiência como sendo mais importante do que a própria identidade. Não que a identidade não seja preponderante, mas que ela surge aqui como uma questão secundária diante do conhecimento e da prática diária dos indivíduos. E alerta para o aviltamento da Arte e da Cultura a partir do instante em que ela – a Cultura – se presta a um papel social.
Para Marta, o social é o lado obscuro da Cultura. Parece até mesmo paradoxal afirmar isso mas ela é fervorosamente contra a idéia de que a Cultura deve se prestar a um papel social. Isso deve ser responsabilidade do governo. A Cultura precisa se preocupar com as potências, os talentos, a criação, a inspiração e a cooperação.
Os Editais, em especial aqueles promovidos por estatais, solicitam do agente cultural uma contrapartida que quase sempre é social, principalmente quando se propõe a criar interfaces com a a Cultura. Mas, como pensar apenas numa prática em que se evidencie a potencialidade dos envolvidos sem ter que se preocupar com as questões sociais, já que toda proposta de estímulo, incentivo ou fomentação perpassa por ações socioculturais? É preciso repensar os projetos, as maneiras que motivam sua inspiração. A Cultura não pode partir da vulnerabilidade dos indivíduos. Cultura precisa ser vista como invenção, como transformação. As políticas culturais precisam permitir que as pessoas se inspirem, cooperem e criem.
E o Gestor Cultural? Como ele deve agir nesta mobilidade social evidente, neste contexto onde a multiculturalidade sobressalta aos olhos? Para o espanhol Alfons Martinell Sempere, em sua calorosa palestra de abertura do I Seminário Internacional de Gestão Cultural – e eu estava lá de testemunha – é preciso criar uma nova gestão para um novo tempo, diante das dinâmicas, contextualizando-se. A Cultura é complexa e a competência-chave é a contextualização. Cada projeto precisa dialogar com seu contexto, cada gestor precisa aceitar a multiculturalidade nestas realidades territoriais.
Ele afirma ainda que o Território não pode ser igual a Identidade. Já houve uma ruptura de princípios. Mas importante que o próprio território é a identidade. O gestor não pode pensar numa “mono-identidade” mas numa diversidade. É preciso também valorizar o local, assim o gestor saberá que terá que trabalhar com novos valores. Para isso é preciso mais rigor profissional, mais argumentação, mais política. O jogo está em como dialogar/argumentar com o governo, a Cultura e todos os envolvidos. A política cultural só se dará por via da argumentação. Não basta apenas orçamento. Dinheiro é bom, não podemos negar. Mas, não basta só o dinheiro. É preciso saber gerir e, mais do que isso, argumentar para se encontrar a melhor maneira de descentralizar os recursos.
Bem, fica aqui as inquietações para vocês. Esperamos receber alguns comentários sobre elas como forma de contribuir com a classe e o nosso Território.