terça-feira, 24 de novembro de 2015

EXPOSIÇÃO ÍNDIOS NA JANELA - NOVO PROJETO DA COMUNIDADE TIA MARITA

 
"Beatriz - a face", óleo sobre tela de Gildásio Rodriguez

Na manhã do dia 23/11, a presidente do Conselho Diretor da Associação Comunidade Tia Marita assinou o Termo de Acordo e Compromisso - TAC que celebra a realização da Exposição Índios na Janela, selecionada no Edital 02/2015 Agitação Cultural - Dinamização dos Espaços Culturais da Bahia, promovido pela Secretaria Estadual de Cultura da Bahia, Secretaria da Fazenda e Governo do Estado da Bahia.
A Exposição Índios na Janela tem a pretensão de discutir o significado dos utensílios indígenas produzidos nas aldeias brasileiras, suas implicações no modo de vida de cada comunidade representada e ainda o desafio de propor significantes e significados a partir das pinturas das faces indígenas.         
A exposição itinerante - que reúne 200 peças indígenas Silvan Barbosa e 20 telas do artista plástico Gildásio Rodriguez - passará pelas cidades de Ilhéus – Terra dos Povos Tupinambás; Porto Seguro – Terra dos Povos Pataxós e Salvador – Terra dos Povos Tapuias.

Viviane Siqueira na sede do Centro de Cultura Adonias Filho para assinatura do TAC

A coleção valiosa do ex-funcionário da FUNAI, por si só - seja pelo seu valor histórico, seja pelo seu valor econômico, seja pelo seu simbolismo como a borduna que pertenceu ao Índio Galdino Jesus dos Santos, líder indígena da etnia pataxó-hã-hã-hãe que foi queimado vivo, no dia 20 de abril de 1997, enquanto dormia em um abrigo de um ponto de ônibus em Brasília - configura-se como instrumentos de valor inestimável para a pesquisa de estudantes, professores e estudiosos da cultura indigenista.
Já a pintura adjunta do artista plástico Gildásio Rodriguez – “O Gil dos Índios” - demonstra um animus natural e ao mesmo tempo energizada que abstrai em cada tela, a dinâmica de inúmeras tribos indígenas retratadas através de suas faces.

O projeto tem previsão de início em fevereiro de 2016.

domingo, 22 de novembro de 2015

O PROTAGONISMO DA CULTURA E A VISÃO ESTRÁBICA DO GESTOR CULTURAL

“O melhor é não juntar pensamentos divergentes,
mas, criar unanimidades burras”.

Convergente, divergente e vertical
Outro dia ouvi de um amigo que era melhor falar por metáforas porque evita dentes quebrados e dor de cabeça na inteireza. Isto porque as pessoas não estão preparadas para ouvir críticas ou sugestões sobre o que vem fazendo na vida profissional.  O fato é que, sem tergiversar, vou direto ao ponto: os governos municipais não se dão conta que colocam na pasta da cultura pessoas com visão estrábica. E, tal qual o estrabismo – sem nenhuma menção pejorativa nem preconceituosa para quem possui este problema muitas vezes hereditário – podemos afirmar que a visão gerencial no campo cultural, de quem está nesta condição, é classificada de três maneiras:
1.   Convergente – quando o gestor não consegue enxergar que o Conselho de Cultura pode ser um aliado poderoso na sua gestão. Deste modo, todas as suas atitudes são atitudes voltadas para dentro de si mesmo;  
2.    Divergente – quando o gestor radicaliza suas decisões e se fecha no seu protagonismo cultural onde só ele é capaz de promover uma determinada ação e
3.    Vertical - quando o gestor planeja sem ouvir as pessoas mais interessadas no Plano de Ação do órgão máximo da cultura: os artistas.

Política de Balcão e Pires na Mão
Quase sempre este tipo de comportamento ocorre quando o gestor traz enraizado em sua experiência duas práticas: a primeira é a “política de balcão”, do favorecimento, do clientelismo, do paternalismo, dos critérios obscuros e das motivações semelhantes como bem diagnostica TURINO (2009): “Um hábito que tanto infelicitou, e infelicita, nossa prática cultural”. Xô! “Quebrem o balcão!” – Diziam os cineastas do Estado de Alagoas para o governo alagoano que até 2013 era o único estado nordestino que não possuía uma política cultural de fomento.
A segunda é a prática do “pires na mão”, cuja origem se diz que surgiu com os prefeitos que cobram dia-após-dia de seus parlamentares emendas para resolver as cobranças da população. O ato em si de cobrar não conceitua a expressão “pires na mão,” porém, o vai-e-vem à Brasília, a exigência de documentação para liberar a emenda, a modelagem obrigatória de projetos, estar em dia com o Cadastro Único para Exigências de Transferências Voluntárias – CAUC - transforma o prefeito num pedinte de primeira grandeza. Assista ao vídeo “O calvário dos prefeitos para conseguir recursos – A história do pires na mão”, no YouTube, e verifique.
São estas práticas do gestor cultural que reduz a Cultura à cereja do bolo. Ou seja, a Cultura passa a ser vista aqui como a prima pobre, a pasta coitada, a que sempre é relegada a segundo, terceiro ou décimo plano.  O gestor traz consigo a marca da esfera pedinte, amadora, chata, que é lembrada apenas quando o governo inaugura alguma coisa.
A situação complica quando estas três formas são simultâneas e o gestor, perdido, nunca tem certeza de nada e está sempre ajustando sua prática à prática do outro. Torna-se um camaleão sem cor, não sabe fundir ideias e propostas, desconhece o conceito de convergência e acredita que o melhor é não juntar pensamentos divergentes, mas, criar unanimidades burras.

Para que haja protagonismo cultural
Para que a Cultura assuma de vez seu protagonismo no campo das políticas públicas e na gestão municipal e deixe de “ser vista como acessória no conjunto das políticas governamentais” (BOTELHO, 2001) é preciso considerar alguns aspectos:
a) O cargo deve ser técnico. Além de técnico o gestor precisa ser político;
b) Deve possuir qualificação e experiência - condições indispensáveis;
c) Sem bajulação ou lisonjeio gozar do apoio do prefeito;
d) Precisa convencer os companheiros de governo que a Cultura é transversal. Para isso terá que saber articular as demais esferas do governo como um programa conjunto;
e) Seu plano de ações deve prever atividades que estimulem o pertencimento junto à comunidade. Porém, isso só será possível se ele estiver em constante diálogo com ela;
f) Tem que definir logo no início do seu mandato qual o conceito de Cultura que irá trabalhar;
g) Mapear toda a comunidade cultural. Na sua sala tem um mapa onde ele pode traçar sua ação, metas e objetivos já alcançados, identificando grupos, instituições, coletivos no Município;
h) Quando pensar em programas e projetos que democratizem o acesso aos bens culturais precisa primeiro pensar na democracia cultural. Não adianta levar orquestra sinfônica para a comunidade se a comunidade nem sequer foi ouvida se queria ver uma orquestra sinfônica;
i) Esquecer de vez a função de produtora. Um órgão de cultura não pode produzir eventos de todos os gostos e todos os tipos. Precisa fomentar, criar oportunidades e condições para que os verdadeiros promotores de eventos desenvolvam seus projetos;
j) No seu planejamento estratégico não pode faltar programas de formação e capacitação dos artistas e técnicos. Deve criar objetivos e metas que possam ser alcançados. Não pode trabalhar de forma empírica e ao sabor do vento. Do vento do orçamento, do aval do prefeito, da boa vontade da secretaria da fazenda. Se há planejamento financeiro, há disponibilidade orçamentária. Os imprevistos podem ser sanados com os parceiros locais. E, os parceiros não podem ser apoiadores de ocasião, nem amigos afins, mas conectores que acreditam no processo de transformação através da Cultura;
l) Seu principal foco deve ser a reterritorialização. “Mesmo no âmbito da cultura global, surgem espaços destinados aos produtos “típicos”. A reterritorialização contemporânea, com a emergência cultural das cidades e regiões, tem sido a contrapartida da globalização cultural.  Assim, o panorama atual aponta para um desigual e combinado processo de glocalização” (RUBIM, 2006). Sem valorização do local não consegue ganhar apoio da comunidade cultural. Fica isolado, desacreditado e dá a impressão de que não faz nada. E quando faz, passa despercebido;
m) Suas estratégias devem envolver o Conselho Municipal de Cultura, a captação de recursos para o Fundo Municipal de Cultura e selar de vez o Sistema Municipal de Cultura;
n) Deve promover a participação efetiva dos artistas locais em grandes datas comemorativas, a exemplo do Carnaval, São João, Réveillon, aniversário da Cidade, dando-lhes condições dignas com camarins próprios, cachês justos e tratamento semelhante ou melhor do que os artistas visitantes.
Ora, uma ação de governo que se pretenda progressista, ou transformadora, tem a Cultura como prioridade, assinala TURINO (2009). Não dá para agir assim se os gestores culturais continuarem com esta visão estrábica e, também, míope! O que requer aí um outro artigo para esclarecer – e convencer – de que um verdadeiro gestor da cultura tem que ter olho de tandera. Sua capacidade de enxergar tem que ir além do que está no seu campo de visão.   

Sem alinhamento não há convergência
Se ele consegue municipalizar a Cultura e ampliar o orçamento vira referência. É copiado, lembrado e apontado como figura ímpar, e seu nome estará nos anais da história. Se não conseguir, e nem sequer pensar assim, cada olho – assim como no estrabismo – irá formar uma imagem diferente do objeto. Afinal, sem alinhamento, não há convergência. É claro que neste cenário aparentemente caótico existem bons exemplos que se espalham pelo país, como o Município de Goiana, em Pernambuco, onde são investidos 2% do orçamento anual em Cultura. “Estamos escrevendo uma nova página na rica e singular história de Goiana. Somos hoje a cidade que, além de possuir um tecido cultural diversificado, nos preocupamos em fomentar e garantir subsídios para que o fazer cultural seja valorizado”, disse o prefeito Fred Gadelha, em entrevista na página oficial da prefeitura da cidade.
Imagine um Conselho de Cultura que não compreende seu papel e sua função. Agora, some-se a isso um gestor cultural despreparado e divergente. Qual o resultado? Uma política cultural inexistente e um sistema inoperante.
Todos estes aspectos aqui elencados devem ser considerados de forma conjunta e nunca isoladamente. Senão, sua administração recairá em uma ou mais classificações estrábicas. Porém, se o seu planejamento excluir qualquer forma imediatista, estará priorizando escolhas de médio e longo prazos, dando a todos a possibilidade de escolhas e contemplando as várias dimensões da cultura sem nenhum preconceito ou dirigismo: “O Estado tem de estar a serviço da sociedade e nunca o contrário” (TURINO 2009). Segundo ele para que a administração pública cresça é preciso “assumir uma postura mais humilde e menos impositiva quanto à proposição e execução de programas”. É desta maneira que Estados e Municípios podem se tornar articuladores, jamais produtores.

Considerações finais
Afirmar que: os governos municipais não se dão conta que colocam na pasta da cultura pessoas com visão estrábica não faz desta sentença uma regra. Afinal, toda regra tem exceção. Melhor, exceções. E mais, garantir o investimento de 1% - como prevê a PEC 421 - ou 2% como deseja o Município de Goiana para o fomento, não são suficientes para a construção de uma política cultural de descentralização de recursos. Há de se considerar as forças artístico-culturais, organizadas, que tentarão cooptar o maior número possível de investimentos para suas áreas. E, se o gestor não tiver a capacidade de saber “dividir o bolo”, controlar os egos, fortalecer as tradições, impor limites e provocar intervenções, dificilmente teremos ações estruturantes, projetos sustentáveis e programas de fortalecimento para a diversidade cultural.
E, quando as forças organizadas se deslocam como tratores contra os gestores estrábicos, eles, acuados, sem planejamento, partem para uma política de eventos – imediatista - na contramão da política cultural, formando “um conjunto de programas isolados – que não configuram um sistema, não se ligam necessariamente a programas anteriores nem lançam pontes necessárias para programas futuros – constituídos por eventos soltos uns em relação aos outros” (COELHO, 2004).
O gestor cultural precisa pensar localmente, agir globalmente e se fortalecer coletivamente. O desejo de construir em conjunto, de unir forças não o torna incapaz na condução de seus trabalhos. Pelo contrário, demonstra liderança, legitimidade, segurança, competência e capacidade de congregar em um mesmo ambiente, pensamentos divergentes, ações estruturantes e relações horizontais.

[1] Pawlo Cidade é escritor, produtor, gestor cultural e diretor artístico da Comunidade Tia Marita. Autor da cartilha “Como Transformar a Cultura em um bom negócio – 17 perguntas para você se tornar um empreendedor cultural”, Editora A5, Itabuna, Bahia, 2014.


REFERÊNCIA
TURINO, Célio. Uma gestão cultural transformadora, 2009. Disponível em:  http://www.fmauriciograbois.org.br/cultura/index.php?option=com_content&view=article&id=10:gestao Acesso em: 21 de nov. 2015.
RUBIM, A. A. C. Políticas Culturais entre o possível e o impossível. In: Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura, 2., 2006. Salvador-Bahia.
BOTELHO, Isaura. Dimensões da cultura e políticas públicas, 2001. Disponível em: http://www.guiacultural.unicamp.br/sites/default/files/botelho_i_dimensoes_da_cultura_e_politicas_publicas.pdf Acesso em 21 de nov. 2015.
COELHO, Teixeira. Dicionário crítico de política cultural. São Paulo: Editora Iluminuras, 2004. 300 p.


sexta-feira, 20 de novembro de 2015

CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA PUBLICA MANIFESTO PELA VALORIZAÇÃO DA CULTURA NEGRA


Um manifesto a favor da cultura negra foi divulgado nesta sexta-feira, 20, quando se comemora o Dia da Consciência Negra. O texto parabeniza as instituições que fortaleceram a programação deste ano, além de cobrar do poder público um posicionamento de perpetuação das ações de valorização da cultura negra da Bahia. A produção do conteúdo foi aprovada na última quinta-feira, 19, durante a Sessão Plenária na sede do órgão, no Campo Grande.

Batizado de “Manifesto pela valorização da cultura negra, com ou sem crise finaceira”, o texto lembra que o 20 de novembro é uma data de celebração e também de reivindicação. Afinal de contas, estamos na Década Estadual Afrodescendente e muitas lutas ainda estão por vir.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

ENCONTRO REÚNE AGENTES DAS POLÍTICAS E DAS GESTÕES CULTURAIS DA BAHIA


Evento congrega fóruns de diversas redes, apresenta atividades de formação e estimula o desenvolvimento da cultura em toda a Bahia

Nos dias 16, 17 e 18 de dezembro de 2015, a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) realizará o III Encontro de Política e Gestão Culturais da Bahia. O evento acontecerá em Juazeiro (território de identidade Sertão do São Francisco), no Centro de Cultura João Gilberto, espaço cultural administrado pela SecultBA.

O encontro visa o estimulo a contínua troca de experiências e aprimoramento das gestões e das políticas públicas de cultura em todos os municípios baianos e a constituição dos Sistemas Municipais de Cultura. Além disto, tem a intenção de fortalecer os fóruns já constituídos, estimular o surgimento de novos e ofertar um espaço de formação em política e gestão culturais para todas as redes abrangidas.

A programação do Encontro de Política e Gestão Culturais será composta por painéis, mesas-redondas e fóruns de redes específicas de determinados segmentos culturais. Serão realizados: VII Fórum de Dirigentes Municipais de Cultura; III Fórum de Conselheiros de Cultura da Bahia; I Fórum de Gestores Sociais; e I Fórum de Espaços Culturais.

Durante o Encontro de Política e Gestão e Culturais acontecerá ainda a posse dos Colegiados de Gestão de Participativa dos Espaços Culturais da SecultBA, para os Colegiados com membros já selecionados e nomeados, conforme previsão da Portaria 338/2014.

A III Encontro de Política e Gestão Culturais é uma realização da SecultBA, com apoio da Associação de Dirigentes Municipais de Cultura da Bahia (ADIMCBA), do Conselho Estadual de Cultura e do Fórum de Legisladores de Cultura da Bahia.

III Encontro de Política e Gestão Culturais da Bahia
Quando: Dias 16, 17 e 18 de dezembro de 2015
Onde: Centro de Cultura João Gilberto - Rua José Petitinga, s/nº, Santo Antonio (Juazeiro – BA)
Mais informações:
Telefone: (71) 3103-3441

18/11/2015

Assessoria de Comunicação
Secretaria de Cultura do Estado da Bahia – SecultBA
Tel – (71) 3103-3442
Adriana Jacob – (71) 9983-5278 - ascom.secultba@gmail.com

Maria Luísa Gouveia - (71) 9154-3321 - marialuisa.ascom@gmail.com 

LITERATURA


ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A ESCRITA DE VICTOR MASCARENHAS
 por Neila Brasil Bruno¹

Desde que lançou seu primeiro livro, Cafeína, em 2008, Victor Mascarenhas vem criando, com segurança, textos que o colocam em posição de destaque no cenário baiano da literatura. Dono de uma escrita precisa e clara, seu estilo versátil tem conquistado leitores. Um certo Mal-estar é um livro de contos, o quarto publicado por Victor Mascarenhas. O escritor também atua como roteirista e publicitário.
Em Um certo Mal-estar, é possível notar um interessante processo de construção ao considerarmos suas estratégias narrativas: é um livro com treze contos, escritos numa linguagem concisa e objetiva – onde a ficção e o cotidiano estão entrelaçados. Para tanto, o autor apresenta a vida ordinária das personagens em mínimos detalhes. Através de um estilo próprio e enxuto, o leitor é direcionado para histórias de vidas comuns por meio de uma linguagem às vezes coloquial, que se revela inovadora.
Neste post, eu gostaria de tecer algumas reflexões sobre o conto intitulado “ela”, onde o autor cria personagens misteriosas, sobre as quais descreve e insere o que imagina, interessando e envolvendo o leitor. O conto traz a seguinte epígrafe: “O seu amor é uma mentira que a minha vaidade quer (CAZUZA). A citação pode estar ligada ao conflito amoroso vivido pela personagem “Ele”. É interessante pontuar que as personagens não recebem nomes próprios, mas são simplesmente denominadas como “Ele” e “Ela”.
Narra-se no conto um vínculo conflituoso entre um homem e uma mulher. A mulher representada não é uma mulher submissa; ao contrário, trata-se de uma figura feminina extremamente livre em relação aos próprios sentimentos e aos sentimentos do outro. No transcurso da história, o narrador discorre, em minuciosos detalhes, sobre os sentimentos conflituosos e perturbadores da figura masculina em relação a “Ela”: Seria angústia por amá-la? Teria “Ela” olhos de ressaca como a personagem Capitu de Machado de Assis?
Enfim, parte da história acontece num quarto de hotel, em uma cidadezinha, durante uma noite fria. É o cenário favorável para um encontro amoroso. Mas “Ele” parece não se entregar totalmente àquele encontro, pois “Ela” pode ser simplesmente o abismo. No encontro de ambos, “Ele” não saberia definir se sentia tristeza ou felicidade; o fato é que se tornara praticamente um prisioneiro daquela relação. Para definir esse relacionamento conflituoso entre os dois, aproprio-me das palavras do poeta Carlos Drummond Andrade: “Este é o nosso destino: amor sem conta, distribuídos pelas coisas pérfidas ou nulas, doação ilimitada a uma completa ingratidão...”
Assim, no conto “Ela”, como em outros contos do autor, é apresentada uma construção narrativa dinâmica e muito criativa, capaz de convidar os leitores para uma reflexão sobre situações do cotidiano que podem acontecer com qualquer indivíduo. Nesse jogo entre ficção e realidade, refaz-se o mundo da vida, permitindo novas perspectivas críticas ao potencial receptor dessas histórias, que, revestidas com um tom crítico e algumas vezes até humorístico, levam o leitor à descoberta do real.
Esse conto pode ser conferido, na íntegra, em Um certo Mal-estar, que será lançado pela Solisluna editora em 19 de novembro, às 18:00, (hoje) pela livraria LDM no Espaço Unibanco de Cinema – Glauber Rocha. Posteriormente, acredito que o livro poderá ser adquirido pelo site da editora, http://www.solislunaeditora.com.br.


REFERÊNCIAS


MASCARENHAS, Victor. Um certo Mal-estar. Lauro de Freitas, BA: Solisluna Editora, 2015.

1. Sobre a autora: Neila Brasil Bruno é Mestre em Letras, professora da Rede Estadual da Bahia, colaboradora da Comunidade Tia Marita e possui várias publicações de artigos na área de Literatura Infantil e Juvenil. Em 2013, publicou pela editora EDITUS – UESC, o livro infantil Maricota e as formigas. Email: neilabbrasil@hotmail.com

terça-feira, 17 de novembro de 2015

CONFIRA HABILITADOS DO EDITAL COMUNICA BRASIL


A Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAv/MinC) divulgou nesta segunda-feira (16), no Diário Oficial da União (DOU), o resultado preliminar dos habilitados no processo seletivo de fortalecimento do Sistema Nacional de Cultura, Comunica Brasil. 
 
Interessados poderão entrar com pedidos de reconsideração até 18 de novembro. Para isso, deverão preencher o formulário disponível nesta página e enviar ao seguinte e-mail: sav.snc@cultura.gov.br.
 
O edital apoiará a implantação de 18 sistemas audiovisuais, contabilizando 78 equipamentos culturais, divididos da seguinte forma: a) 15 sistemas audiovisuais em municípios da Categoria A (até 50 mil habitantes), formados por quatro unidades Cine Mais Cultura, com antenas parabólicas; e b) três sistemas audiovisuais em municípios da Categoria B (de 50.001 até 200 mil habitantes), com um Núcleo de Produção Digital (NPD), quatro unidades Cine Mais Cultura e um Canal da Cidadania.
 
O valor total investido nele será de R$ 3,8 milhões. Os repasses também contarão com a contrapartida dos municípios, que varia de acordo com a categoria definida por número de habitantes. 
 
Para a seleção das propostas, foram levados em consideração critérios como relevância; gestão; impacto territorial e alcance; transversalidade; desdobramento e sustentabilidade (capacidade de assegurar a continuidade das ações contempladas neste edital).
 
Assessoria de Comunicação
Ministério da Cultura

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

CANAVIEIRAS PROMOVE 2ª EDIÇÃO DO CURSO DE FORMAÇÃO DE GESTORES E AGENTES CULTURAIS

Prefeitura Municipal de Canavieira (foto: Ascom)
Depois de Buerarema e Camacã (9 a 13 de novembro) será realizado em Canavieiras, de 16 a 20 deste mês, o Curso de Formação de Gestores e Agentes Culturais, com ênfase em gestão orçamentária de projetos culturais. O Projeto é idealizado pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), em parceria com a Prefeitura de Canavieiras, por meio da Secretaria da Cultura, e tem o objetivo de capacitar os agentes culturais do município, tendo em vista uma maior participação do território litoral sul nas políticas públicas culturais, editais e captação de recursos.

Para o professor Samuel Mattos, da Pró-reitoria de Extensão (Proex) da Uesc, em Canavieiras, o curso será especificamente sobre projeto, orçamento e gestão orçamentária. “Ter agentes culturais qualificados é sem dúvida nenhuma um passo muito importante para que a gente possa ter políticas públicas para a cultura no Brasil”, afirmou

Informa o Secretário Jorge Carvalho, que o curso se destina apenas às pessoas que já desenvolvem trabalhos na área de gestão de cultura (preferencialmente os que participaram da edição passada). “O objetivo é capacitar gestores e agentes culturais no Território Litoral Sul da Bahia, contribuindo assim para o fomento à produção cultural regional”, disse o secretário. Para a inscrição no curso são exigidos o ensino médio completo e ter vínculo com a área de cultura do seu município.

Este é o segundo ano que Canavieiras recebe o curso de Gestão Cultural. Na edição passada, o curso teve início com a apresentação o resultado das ações desenvolvidas pelo Ponto de Cultura da Uesc, no sentido de embasar e oferecer um diagnóstico da cultura na região. O Ponto de Cultura promove eventos de cunho cultural em música, dança, teatro e canto coral para a comunidade na qual a Universidade está inserida.


Entre os resultados esperados com o curso estão o aumento da qualidade e quantidade de projetos culturais na região; aumento do volume de recursos captados para a cultura regional; aumento dos postos de trabalho e da renda no campo da cultura; aumento do número de projetos contemplados através dos editais da Secult e outras fontes financiadoras da cultura; maior interação cultural entre os municípios do Território Litoral Sul da Bahia e outras áreas de abrangência da Uesc; e a melhoria na qualidade das ações de gestão da cultura no Território.

Fonte: Ascom/Canavieiras

terça-feira, 10 de novembro de 2015

ORDEM DO MÉRITO CULTURAL 2015 PREMIA 29 PERSONALIDADES E CINCO ENTIDADES CULTURAIS


Homenageado da noite, o poeta Augusto de Campos discursa durante a entrega da Ordem do Mérito Cultural 2015 (Foto: Lia de Paula)

Na noite dessa segunda-feira (9), o Palácio do Planalto, em Brasília, testemunhou momentos de poesia, música e manifestações culturais das mais diversas. A ocasião foi a cerimônia de entrega da maior condecoração da cultura brasileira, a Ordem do Mérito Cultural (OMC) 2015. Por cerca de 2h, foram prestadas homenagens e entregues as insígnias aos agraciados, divididas em três classes – Grã-Cruz, Comendador e Cavaleiro. O homenageado especial desta 21ª edição da OMC foi o ensaísta, poeta e tradutor brasileiro Augusto de Campos, um dos criadores do movimento nacional da poesia concreta.

A cerimônia contou com a presença da presidenta Dilma Rousseff e do ministro da Cultura, Juca Ferreira, que ficaram responsáveis pela entrega das condecorações. A presidenta enalteceu a importância de cada um dos premiados no desenvolvimento da cultura brasileira. "Vocês representam o melhor da nossa tradição e vanguarda. Vanguarda e tradição. Assim mesmo, tudo junto, tudo misturado na riqueza da nossa cultura".

O ministro Juca Ferreira ressaltou que a OMC revela a extensa e rica diversidade e a enorme variedade de talentos individuais e de ações coletivas que o País é capaz de produzir. "São muitos Brasis aqui presentes. Muitos, talvez, desconheçam a existência de outros, de tão plural que é a nossa natureza. Tão cheia de surpresas e revelações", destacou, durante seu discurso.

Juca Ferreira também enalteceu o homenageado da noite, o poeta Augusto de Campos. "O Ministério da Cultura do Brasil vem neste ato reconhecer o inestimado valor de sua produção para a cultura brasileira. Em mais de seis décadas, Augusto nos enriqueceu com poemas, livros, músicas e traduções", afirmou o ministro.  

NOS PRÓXIMOS DIAS IREMOS REMODELAR O BLOG E TRAZER NOVIDADES. AGUARDEM!

domingo, 8 de novembro de 2015

INVASÃO CULTURAL SELECIONOU 46 ARTISTAS DA MÚSICA BAIANA


A Multi Planejamento Cultural selecionou 46 artistas e grupos musicais selecionados para o projeto INVASÃO CULTURAL, que celebrará o Dia da Música – 22 de Novembro e dará visibilidade à produção musical de Salvador. A iniciativa tem o patrocínio da TIM, do Governo do Estado através do Fazcultura, mecanismo de patrocínio cultural das Secretarias de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA) e da Fazenda (Sefaz).

Um total de 162 criadores se inscreveu na chamada pública, que contou com a curadoria dos produtores culturais Ana Paula Vasconcelos, Renata Hasselman e Alex Pinto. O INVASÃO CULTURAL vai se espalhar pelos bairros da Barra, Itapuã, Imbuí e Ribeira, oferecendo apresentações gratuitas para o grande público, numa grande festa que comemora a potência da música baiana. De acordo com Ana Paula Vasconcelos, sócia-diretora da Multi Planejamento Cultural, a curadoria se pautou por reunir propostas de diferentes estilos musicais e garantir uma programação bastante diversa, com trabalhos que mais experimentais, mas também a tradição do samba, do choro, passando pelo rock, hip hop e jazz.

Além dos nomes selecionados, a Multi Planejamento Cultural está definindo mais quatro artistas convidados, que irão enriquecer a programação, distribuindo nos quatro palcos do Invasão Cultural. Maiores informações no site:
http://www.multiplanejamento.com.br

Confira abaixo a lista de selecionados:

BARRA: Coro de Cor; Lívia Nery; R.A.L.L.; Thiago Trad - Bahia Experimental; Alex Mesquita; Playgrude; Ivan Sacerdote; Duo Sarabandy; Baía Voodoos; Quiprocuo de Dona Judite; DaGanja; Alexi Jazz.

RIBEIRA: Rafael Pondé; Menos Um no Quarteto; ÀTTØØXXÁ; Suinga; Ana Paula Albuquerque; Gabriel Rosário; Pietro Leal; Van der Vous; Grupo Gente do Choro; Júlio Caldas Trio; Nara Couto.

IMBUÍ: Dicionário Periférico; Fraternidade Maus Elementos; SSA-Som Soteropolitano Ambulante; Pastel De Miolos; Confraria Giramundo; Vince de Mira e o batuque do vigia; Lord Breu; Rodrigo Sestrem; Tabuleiro Musiquim; Ceguêra de Nó; Retro_Visor; Filipe Lorenzo.

ITAPUÃ: Álvaro Assmar & Eric Assmar; Sanitário Sexy; JosyAra; Moinho de Vento; Mōrena Dub; Toco Y Me Voy; Pradarrum; Kalu; Opanijé; Pedro de Rosa Morais; Taipa Trio.