quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

LEI PAULO GUSTAVO/ILHÉUS: FAZEDORES DE CULTURA TÊM ATÉ DIA 19 DE FEVEREIRO PARA ENTREGAR DOCUMENTOS



Nesta quarta-feira (7) foi publicada a Portaria n.º 06, com a divulgação dos 155 proponentes que serão contemplados com recursos da Lei Paulo Gustavo, enquadrados no Edital 04, que abrange todas as demais áreas que não audiovisual – os resultados definitivos destes serão divulgados ainda em fevereiro. 

De acordo com o Edital, os proponentes precisarão entregar a documentação na Secretaria de Cultura, em até cinco dias úteis, a partir de hoje, quinta-feira (08). A documentação deve ser entregue na Secretaria Municipal de Cultura, localizada na Casa Jorge Amado, no horário de atendimento (das 09 às 14 horas), até o dia 19 de fevereiro (devido ao feriado de carnaval, a Secretaria de Cultura não funcionará nos dias 12, 13 e 4 de fevereiro). 

Este edital compreende projetos de dança, teatro, circo, artesanato, capoeira, entre outros. Foram contemplados 155 fazedores de cultura, que, a partir desta fase, já se habilitarão a receber os recursos. 

Segundo o coordenador da comissão e secretário do Conselho Municipal de Cultura, Marcos Lessa, seriam aproximadamente 300 mil reais de recursos, destinados ao enriquecimento da cena cultural do município. Lessa ainda reforça a importância desta fase, “é essencial que os fazedores de cultura fiquem atentos ao prazo estipulado na Portaria. São cinco dias úteis e, o não cumprimento elimina o proponente”, disse.

Serviço:

- Entrega de documentação dos projetos contemplados pela Lei Paulo Gustavo | Edital 04, que não compreende audiovisual 

- Prazo de entrega: de 08 a 19 de fevereiro (5 dias úteis a partir “do dia subsequente à publicação da portaria”, considerando o recesso de carnaval, nos dias 12, 13 e 14 de fevereiro)

- Local: Secretaria Municipal de Cultura, localizada na Casa Jorge Amado.

- Horário de atendimento: das 09 às 14 horas

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

SAIU RESULTADO FINAL DE HABILITAÇÃO DA LPG BAHIA






A Secretaria de Cultura do Governo do Estado da Bahia (SecultBa) divulgou, ontem (25/01), o resultado final de propostas habilitadas para os 16 editais das áreas de Fomento às Artes, Identidades e Saberes, Patrimônio, Livro, Leitura e Literatura e Cultura em Toda Bahia da Paulo Gustavo Bahia. Acesse o resultado aqui

Ao todo, foram 917 propostas selecionadas em todos os 27 territórios de identidade da Bahia que, juntas, receberão um investimento em torno de R$44.870.000,00. (quarenta e quatro milhões e oitocentos e setenta mil reais). 

Com o resultado final de habilitação publicado, inicia-se a última etapa de classificação das propostas, com a assinatura e celebração do termo.

Os 10 editais da área de audiovisual seguem na etapa de envio de documentos para habilitação até o dia 29/1.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

MINC LANÇA PROGRAMA CONEXÃO, CULTURA E PENSAMENTO NA SEGUNDA (29)




‘Pihhy’, em mehi jarka, língua falada pelo povo Mehi-Krahô, significa semente e é o nome escolhido para a revista multimídia que inaugura o “Programa Conexão Cultura e Pensamento”. A iniciativa é uma parceria entre o Ministério da Cultura (MinC), através da Secretaria de Formação, Livro e Leitura/DIEFA e o Curso de Educação Intercultural, do Núcleo Takinahakỹ de Formação Superior Indígena, da Universidade Federal de Goiás (UFG). O lançamento ocorre na segunda-feira (29), em formato virtual. As inscrições podem ser feitas aqui.

Inspirado em ações anteriores, como o Programa Cultura e Pensamento, o projeto tem o objetivo de fortalecer espaços públicos de reflexão e diálogo em torno de temas importantes da agenda contemporânea. A atualização deste escopo se inicia pela difusão desta revista multimídia, que será alimentada com conteúdos produzidos por indígenas de diferentes campos de atuação e inaugura o estímulo à criação, produção e circulação, entre múltiplos territórios, baseados em conhecimentos plurais e ancestrais, deixando evidente a complexidade e o valor da pluralidade epistemológica existente no Brasil. 

A Revista Pihhy disponibilizará materiais na língua portuguesa, bilíngues ou plurilíngues, e em inglês, em edições mensais, em uma) versão digital hospedada no Portal do MinC na internet. O ambiente tratará temas como educação, direito, conhecimentos, política, ciência, artes, dentre outros, por meio de algumas categorias como: Já me transformei em Imagem; Mestres de Cultura; Cadernos Educativos; Literatura Indígena; A Palavra da Mulher é Sagrada; Vibrações, Sons, Corpos e Direitos Indígenas. 

“O Ministério da Cultura tem um papel importante no fomento à produção e difusão do conhecimento. Não há políticas públicas sem os ambientes de reflexões críticas e inventivas para a qualificação de nossas políticas culturais. O programa Conexão, Cultura e Pensamento foi buscar como referência o programa Cultura e Pensamento que exerceu um papel vital em gestões anteriores na articulação de instituições e pesquisadores que estavam produzindo em torno dos temas da cultura. A novidade que apresentamos aqui é trazer a percepção inscrita na palavra conexão”, destaca o secretário de Formação Cultural, Livro e Leitura do MinC, Fabiano Piúba. 

Ele destaca que, para além da produção do conhecimento, está é uma possibilidade de estabelecer conexões entre saberes, fazeres e territórios distintos. “Gerando confluências e encontros na promoção do que se produz nas mais diversas áreas do conhecimento no sentido de promover não só a diversidade cultural, mas também a diversidade do conhecimento, das ciências. A Pihhy’ é nossa primeira roça indígena para a gente arar um pensamento mais orgânico e diverso nesta parceria do MinC com a UFG”. Além da Plataforma digital, o Programa deve englobar outras ações, no sentido de fortalecer a produção de conhecimentos e promover a difusão de culturas locais, inclusão social e diversidade das manifestações artística e culturais, conforme orienta as atribuições da SEFLI e da Diretoria de Educação e Formação artística do Minc. 

O nome Pihhy foi escolhido no contexto do próprio curso intercultural, e o secretário Fabiano Piúba, enfatiza essa escolha, salientando que “a semente está associada às ideias de criação, cultivo, colheita e aos ciclos da vida e do tempo. Ela tanto pode ser uma semente de Jatobá ou de Sumaúma, como pode ser uma semente de gente, de pessoa, pois tudo é natureza e cultura. Se a natureza faz o tempo, a cultura faz o cultivo, o saber-fazer-viver. Ou seja, não podemos mais despregar a reflexão crítica dos ciclos vitais dos saberes e fazeres culturais e tampouco dos saberes da própria natureza. A nossa primeira roça é indígena, a segunda será quilombola e todas serão confluências”, detalha, ao falar da alimentação da plataforma em anos subsequentes a 2024. 

“Trata-se de um projeto inovador e de vanguarda porque promove a pesquisa, o registro e a sistematização desses saberes ancestrais que foram, no violento processo histórico e colonial, apagados, adormecidos ou invisibilizados no país. Ela traz à tona, então, pensamentos plurais e diversos sobre temas fundamentais para o mundo contemporâneo, como a sustentabilidade, a relação com a natureza, a democracia e o bem viver”, explica o professor Alexandre Herbetta, um dos coordenadores da proposta. Gilson Ipaxi'awyga, professor do Intercultural e membro do povo indígena Tapirpé também é um dos coordenadores de conteúdo Revista, finaliza afirmando que a revista é uma oportunidade de se difundir os conhecimentos indígenas, de maneira a se refletir as diversas maneiras de se fazer ciência. 

Haverá certificação para os participantes.

Programação: 

29/01/2024 

8 h–11h: Lançamento da Revista Pihhy Falas de autoridades, de representantes institucionais e da coordenação, apresentando a proposta da revista e a 1º edição. 
Mesa virtual com autores e autoras participantes da edição 



14h–17h: Mesa redonda presencial “Possibilidades de uma pluriversidade para o fortalecimento da democracia e do bem viver” - Bruno Kaingang, Naine Terena, Edson Kayapó e Creuza Prumkuyw Krahô 

A mesa busca refletir sobre a importância fundamental da valorização de outras matrizes epistemológicas e da articulação de conhecimentos pluriepistêmicos para a real democratização de instituições brasileiras, e, também, sobre os intensos e regulares processos de violência epistêmica, ainda presentes em espaços de conhecimento vinculados ao estado. 

Serviço 

Lançamento do Programa Conexão, Cultura e Pensamento – Revista Pihhy 

Quando: 29/01/2024 

Horário: 8 horas 

Local: Transmissão ao vivo no Canal do Núcleo Takinahakỹ UFG

Inscrição aqui.

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

EM 24H, ILHÉUS REGISTRA CHUVA DE 220MM



Foto: Divulgação/Prefeitura de ilhéus

A Defesa Civil de Ilhéus registrou 220 mm de chuvas nas últimas 24 horas. Conforme o órgão, somente entre meia-noite e 8h desta terça-feira (23) choveu 162 mm. A previsão inicial apontava acumulado de 206 mm para os próximos sete dias. A Prefeitura informa à população que as equipes estão mobilizadas, agindo dentro de suas atribuições, para atender as demandas da comunidade. 

No período da manhã, o prefeito Mário Alexandre se reuniu com membros do Gabinete de Crise para buscar providências em relação aos transtornos causados pelo temporal. O Município atua em diversas frentes de trabalho, a fim de prestar assistência e orientações às famílias que residem em áreas de risco, bem como realizar intervenções necessárias para minimizar os danos nessas localidades.

As chuvas já deixaram seis pessoas desabrigadas, que foram prontamente encaminhadas ao abrigo institucional. De acordo com o boletim informativo, até o momento, as equipes atenderam 81 ocorrências. Os principais chamados são referentes a solicitações para remoção de árvores caídas, desobstrução de vias públicas e colocação de lonas. A equipe de Emergência e Prevenção atua 24h para registrar as ocorrências e levar assistência necessária à população afetada. 

O acumulado de precipitações pode atingir 120 milímetros até o próximo (28). A Prefeitura orienta os moradores que se mantenham atentos, observando indícios como desagregação de solos em encostas, sinais sonoros, fissuras e rachaduras em imóveis.

Em caso de emergência, a população pode acionar a Defesa Civil, através do número: (73) 97400-7521 (WhatsApp) ou ligar para o Corpo de Bombeiros pela Central 193.

Fonte: Ascom/PMI

FUNDAÇÃO CULTURAL DO ESTADO FAZ 50 ANOS!




Está todo mundo convidado para celebrar os 50 anos da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. A programação artística acontecerá na tarde desta terça-feira (23), na Praça Quincas Berro D’Água, no Centro Histórico de Salvador, para celebrar o cinquentenário da instituição que é responsável por desenvolver a formação, criação, produção, pesquisa, difusão e memória das Artes Visuais, do Audiovisual, do Circo, da Dança, da Literatura, da Música e do Teatro da Bahia.

A tarde será de compartilhamentos. Haverá aula aberta com música ao vivo de SAMBA(S) com a professora Tatiana Campêlo e Taric fará performance musical. Além disso, haverá apresentações de solo de dança: Dudé Conceição apresenta o solo “EXU”, Ágatha Simas apresenta o solo “EVOCA OYÁ”, Kenuu Alves apresenta o solo “NÚMERO UM” e Nildinha Fonseca com apresentação de solo. 

Já o artista Paullo Fonseca, do Balé do Teatro Castro Alves, apresentará o solo “PACÍFICO”. Na ocasião também haverá distribuição de publicações à população. Tudo gratuito e aberto ao público.

50 anos

A Funceb foi fundada em 23 de janeiro de 1974 com a missão de criar e implementar, em articulação e diálogo permanente com a sociedade e outras instituições públicas, as políticas, programas e projetos que promovam as artes na Bahia. 

Integram a Funceb a Diretoria das Artes (circo, dança, música, teatro, literatura e artes visuais), a Diretoria de Audiovisual (que gere a Cinemateca da Bahia e a Sala de Cinema Walter da Silveira), o complexo do Teatro Castro Alves e o Centro de Formação em Artes e sua Escola de Dança.

SERVIÇO:
50 anos da Funceb
Quando: 23 de janeiro de 2023, das 13h às 17h
Onde: Praça Quincas Berro D’Água, Centro Histórico de Salvador
Gratuito

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

FUNCEB DIVULGA RESULTADO FINAL DO PROCESSO SELETIVO DO CURSO PROFISSIONAL DA ESCOLA DE DANÇA

Foto: Funceb/ G1


A Fundação Cultural do Estado da Bahia, através do Centro de Formação em Artes, divulga o Resultado Final de pessoas aprovadas no Processo Seletivo para ingresso de novas pessoas estudantes no Curso de Educação Profissional Técnica de Nível Médio em Dança 2024.

A pré-matrícula acontecerá no período de 22 de janeiro até às 23h59min do dia 24 de janeiro de 2024, através de Formulário Online, cujo link será enviado pela Secretaria Acadêmica Institucional, via e-mail.

As aulas estão programadas para começarem no dia 04 de março de 2024.

O Curso de Educação Profissional Técnico de Nível Médio em Dança da Escola de Dança da Funceb tem duração de dois anos e meio e carga horária total de 1.920 horas, é reconhecido pelo Ministério da Educação (MEC) e já formou mais de 34 turmas de novas pessoas profissionais, que vêm contribuindo para a produtividade do cenário da dança da Bahia.

Criado em 1988, o Curso Profissional objetiva capacitar jovens e adultos com conhecimentos e habilidades gerais e específicos na área da dança, visando à formação profissional e inserção no mundo do trabalho, aptos a uma ampla atuação, dançando, interpretando, criando, produzindo, coreografando e multiplicando ações artísticas em dança. Confira Aqui o resultado final da seleção.


ACESSE O RESULTADO!

Serviço:

Processo Seletivo Curso de Educação Técnica Profissional de Nível Médio em Dança 2024 - Resultado Final

Pré-matrícula: de 22 de janeiro até às 23h59min do dia 24 de janeiro de 2024 – formulário enviado por e-mail

Início das aulas: 04 de março de 2024

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

DESAFIOS POLÍTICO-CULTURAIS PARA 2024


Sede do antigo Ministério da Cultura na Esplanada dos Ministérios| Foto: Reprodução/Copyright © 2024, Gazeta do Povo. Todos os direitos reservados.


Remontar todo o destruído e, simultaneamente, organizar as novas demandas está sendo uma empreitada complexa, trabalhosa, delicada e nada simples.

 

Por Antonio Albino Canelas Rubim*


O recorrente desafio da sociedade brasileira se chama democracia. Não se trata apenas de superar a vida pendular da democracia no país, nem de bloquear o recurso aos golpes, de variados tipos, quando a democracia avança e possibilita direitos para a maioria da população. Trata-se de uma transformação democrática que instale condições para uma democracia ampliada, que envolva estado e sociedade, enfrente desigualdades, distribua renda, respeite a diversidade social e cultural, supere carências e privilégios, que marcam a ferro e fogo o Brasil. Enfim, democratize radicalmente o estado e a sociedade nacionais. Os desafios no campo da cultura em 2024 devem ser inscritos em tal horizonte, buscando viver a democracia cultural e desenvolver a cultura democrática.


A paradoxal conjuntura político-cultural de 2023

 

O país viveu paradoxal conjuntura político-cultural em 2023. Ela combinou, de modo complexo e desafiador, a recriação do ministério inexistente, destroçado e vilipendiado desde o golpe de 2016, com o maior orçamento já existente para a cultura, resultante de lutas e improváveis vitórias, com a conquista das leis Aldir Blanc I, Paulo Gustavo e Aldir Blanc II, ainda na gestão passada, caracterizada por intensa guerra cultural. 

 

A recriação do Ministério da Cultura, extinto em 2019, implica também em reanimar seus organismos, submetidos ao desmantelamento brutal, com perdas de institucionalidade, estrutura, organização, orçamento, pessoal, normas, rotinas etc. Muitos de seus órgãos foram submetidos a uma sabotagem interna, realizada pelos próprios dirigentes impostos. Talvez o exemplo mais escandaloso tenha sido a Fundação Cultural Palmares. Ameaças, perseguições, censura, corrupções, destruições se tornaram acontecimentos cotidianos na secretaria especial, que tomou o lugar do ministério. A rotatividade de seus dirigentes foi intensa. Algo como seis dirigentes em quatro anos. O Ministério da Cultura refundado teve que lidar com tal herança complexa, mais que maldita, com suas intensas carências, fragilidades, debilidades, depressões, ausências, autoritarismos e instabilidades. Recriar o ministério em tais condições se tornou desafio de enormes proporções administrativas e políticas. O processo sugou energias vitais que poderiam estar sendo empregadas na criação e reconstrução de políticas culturais democráticas. 


O maior orçamento da cultura nasceu também de outra conjuntura paradoxal e complexa. Ela conjugou a pandemia e a guerra cultural da gestão federal anterior, que dilaceraram o campo cultural, mas que foram ambiente fértil para possibilitar a convergências de lutas, mobilização e organização visando enfrentar a brutal situação vivida pelos fazedores de cultura. Cabe lembrar que o campo cultural, paralisado pelas medidas necessárias de combate à Covid, havia sido excluído pelo presidente, de maneira deliberada, do auxílio emergencial geral proposto durante a pandemia. As lutas vitoriosas pelo apoio específico à cultura congregaram comunidade cultural, parlamentares e partidos democráticos engajados com a área da cultura; assessores parlamentares afinados com o tema; sagaz sensibilização da maioria do Congresso Nacional e mesmo a disputa entre partidos democráticos de esquerda pelo protagonismo na formulação e autoria das leis. Enfim, ampla conjunção de agentes político-culturais, que infringiram derrotas contundentes à gestão presidencial bolsonarista, com vitórias improváveis e difíceis de explicações simplificadas. 

 

O novo ministério na circunstância paradoxal

 

A conjuntura paradoxal, complexa e difícil de enfrentar, jogou o ministério, que estava sendo gestado, em um turbilhão de demandas, necessidades e solicitações nada fácil de atender. O enorme esforço, para além das forças institucionais existentes, exigiu uma trabalheira incansável: viagens e viagens, conversas e consultas, articulações intensas e necessárias, múltiplas frentes de atuação. Remontar todo o destruído e, simultaneamente, organizar as novas demandas está sendo uma empreitada complexa, trabalhosa, delicada e nada simples. A instalação dos comitês de cultura, afirmados reiteradamente pelo presidente Lula, exige imaginação, articulação e grande empenho. 

 

Dentre as múltiplas demandas da inovadora conjuntura paradoxal uma delas, para o bem e para o mal, assumiu centralidade: pensar, regulamentar, mobilizar e assegurar ampla participação dos entes federativos na implementação das leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc II, derivadas das lutas político-culturais vitoriosas. A necessidade de implementar as leis durante o ano de 2023 se mostrou imperiosa. Impossível perder recursos em uma área sempre tão carente de verbas. Impossível não buscar envolver amplamente os entes federativos: estados, Distrito Federal e municípios na implantação e execução das leis, ainda que em um complicado federalismo cultural capenga, instalado em 2022, quando era crucial utilizar recursos da União de maneira federalista, mas sem deixar que ela se envolvesse nas deliberações, pois as atitudes antidemocráticas da gestão federal atingiam drasticamente os bens e serviços simbólicos. 

 

O processo em 2023 foi vigoroso, conforme atestam as quase universais adesões dos entes federados às leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc II. Garantir a capacidade da cultura em executar recursos conquistados é, sem dúvida, vital. Tais movimentos, sem menosprezar outras atividades, programas e projetos do ministério, assumiram protagonismo central em 2023. Nada surpreendente que a atuação relativa à lei Paulo Gustavo e à Política Nacional Aldir Blanc apareçam nas primeiras páginas da publicação, que resume as “entregas” do Ministério da Cultura em 2023. Nada casual a transferência da Conferência Nacional de Cultura, antes marcada para dezembro de 2023, para o ano de 2024.

 

Riscos para 2024: o fetichismo do dinheiro

 

Sem desconhecer as dificuldades e os méritos vividos em 2023, cabe apontar os potenciais riscos existentes no orçamento amplo. Pela primeira vez, o problema maior da cultura não é a quase eterna carência de recursos, mas seu volume, ainda que aquém do necessário. O problema decorre de riscos imanentes ao fetichismo do dinheiro.

 

Como perspicazmente formulado, o fetichismo do dinheiro esconde relações sociais entre seres humanos, submetidas à lógica da mercadoria, na sociedade capitalista. As relações sociais aparecem como que transformadas em coisas. Mais que isso, em coisas que têm vida própria e que dominam a dinâmica da sociedade. As coisas, sem mais, parecem comandar as vidas humanas. Os fetichismos da mercadoria e o fetichismo do dinheiro tornam-se poderosos fenômenos na sociedade capitalista. 

De imediato, o risco primeiro do fetichismo do dinheiro é ele dominar a agenda. Por sua atração e sua força, ele passar a comandar discussões e subalternizar, quando não fazer esquecer problemas, questões e políticas vitais de um novo projeto político-cultural para o ministério, a democracia e o projeto de país. Tudo reduz o debate público ao dinheiro: recursos, disputas, atribuições, distribuições etc. A potência gravitacional do dinheiro não é nada desprezível. Quando ele entra no jogo, ele adquire uma força invejável. Não se trata de questionar a necessidade imperiosa de verbas para a cultura e o desenvolvimento cultural. Trata-se, antes disso, de apontar os perigos da redução da cena político-cultural ao debate do dinheiro. Basta acompanhar algumas listas de discussão de movimentos acerca das leis recentes de apoio à cultura, hoje, para se dar conta do perigo. 

 

Outro risco, que aparece na agenda, de maneira substantiva, é presença de grandes orçamentos federais de cultura não como estimuladores de novos orçamentos estaduais, distrital e municipais de cultura, mas como inibidores deles. A onipresença de recursos federais pode, se não houver iniciativas políticas e mobilizações dos setores culturais nas mais diversas instâncias federativas, ocasionar uma retração dos orçamentos de estados, Distrito Federal e municípios destinados à cultura. Desse modo, o federalismo cultural capenga de 2022 se traduziria em um federalismo capenga, de outro tipo, de 2024 para adiante. Urge colocar em pauta o tema do federalismo cultural efetivo, com a implantação do Sistema Nacional de Cultura, que conforme a participação ativa dos entes federados, inclusive em termos orçamentários, e defina a atribuição das responsabilidades, que cabem a cada um deles. Federalismo cultural rigoroso e SNC são faces vitais do processo de democratização das culturas e da sociedade brasileiras e superação desse risco do fetichismo do dinheiro. 

 

A presença de orçamentos potentes pode ter outro efeito colateral perverso, esconder um dos graves problemas das culturas brasileiras: o modelo atual de financiamento e fomento à cultura de caráter antidemocrático e contrário à diversidade cultural. O predomínio do incentivo fiscal, com todas as deturpações que ele adquiriu no país, inibe a democracia e a diversidade culturais brasileiras, pois ele é altamente concentrador e voltado para apoiar algumas áreas culturais, mercantis ou consagradas. Além disso, é escandaloso que apenas por volta de 3% dos recursos mobilizados provenham das empresas privadas e a quase totalidade sejam verbas públicas, colocadas sob a deliberação privada. O aprofundamento da democracia e da diversidade culturais exige um modelo de financiamento e fomento à cultura, democrático e diverso, que seja tão complexo quanto a cultura e que contenha múltiplos mecanismos para lidar satisfatoriamente com os mais diferentes ramos das culturas. 


A absorção ocasionada pelo fetichismo do dinheiro, ao tentar aprisionar o foco do ministério no seu âmbito interno, congela as relações com seu entorno possível de conexões. A cultura sendo em si mesma transversal permite que o ministério se abra a políticas transversais de cultura com áreas sociais afins. Políticas públicas transversais, que mobilizem e beneficiem a cultura e as áreas parceiras, permitindo que o campo cultural ganhe alguma centralidade no projeto de governo e de país. Para isso, o olhar do ministério não pode estar preso às questões internas e restritas, que absorvam todas suas energias, por mais relevantes que sejam. Ele deve ser capaz de dialogar como áreas afins de governo e da sociedade para colocar a cultura como tema crucial do cenário brasileiro atual.

 

Perigo também decorre da atenção dada a articulação quantitativa da participação dos entes federados, por meio de adesões, subalternizando a discussão acerca da disputa político-cultural de valores, que hoje permeia a sociedade brasileira, por meio da guerra cultural bolsonarista. Ela deve ser enfrentada, sob pena do vazio político-cultural permitir persistência e mesmo ampliação de valores autoritários, neofascistas, fundamentalistas, intolerantes e antidemocráticos na sociedade brasileira. As políticas culturais precisam colocar com centralidade a questão democrática e a construção da democracia, da cidadania, dos direitos e da cultura democráticos. Não colocar na agenda pública do ministério a disputa político-cultural democrática de valores, em tempos de guerras culturais, que pretendem tornar adversários político-culturais em inimigos a destruir, explode como grave erro político para a construção e aprofundamento da democracia no Brasil. Tal erro não pode ser reproduzido. 

 

A centralidade da questão democrática e a conexão entre cultura e democracia devem ocupar agenda de 2024, inclusive porque disputas eleitorais vão colocar em cena o enfrentamento entre forças democráticas e antidemocráticas. O cenário em 2024 precisa ser equacionado de modo que todas as oportunidades da conjuntura paradoxal possam ser aproveitadas, sob pena de graves retrocessos político-culturais e orçamentários.

 

A conjuntura paradoxal em seu desdobramento para 2024 abre possibilidades de avanços em dois registros complementares. Eles se voltam, de modo distinto, seja para o próprio ministério, seja para o governo. Mas ambos visam aproveitar as oportunidades políticas abertas pela conjuntura paradoxal. O campo de cultura não pode desperdiçar tal instante singular de sua vida. 

 

Em uma dimensão mais específica, trata-se do fortalecimento político-institucional-programático próprio do campo e do Ministério da Cultura, por meio do desenvolvimento da democracia, cidadania, direitos, diversidades, territorialização, federalismo, transversalidade e disputas políticas-culturais de valores, que fortaleçam o protagonismo do ministério tanto no governo, quanto na sociedade. 

Em uma perspectiva mais geral, atenta-se ao aprofundamento da democracia no país, visando sua ampliação e sua consolidação, com a participação ativa da cultura, do campo cultural e do ministério, através da produção e difusão de culturas democráticas e de uma cultura política democrática, que permita à cultura, nesse horizonte, adquirir centralidade para a construção do projeto democrático de país. 

Em síntese, o enfrentamento político-cultural satisfatório da conjuntura paradoxal em 2024, após os ganhos e dificuldades de 2023, abre horizontes para fomentar a sempre almejada centralidade da cultura e a ampliação da democracia na sociedade brasileira. Ele guarda íntima conexão com tal possibilidade. Culturas e democracias ampliadas são vitais para a construção do novo Brasil.


Antônio Albino Canelas Rubim ou simplesmente Albino Rubim é um pesquisador, jornalista, professor universitário brasileiro. Ex-secretário de Cultura do Estado da Bahia.

 

Fonte: Site Teoria e Debate, Edição 240, Janeiro/2024. Disponível em:

https://teoriaedebate.org.br/2024/01/04/desafios-politico-culturais-para-2024/

CULTURA TEM IMPACTO POSITIVO NA SAÚDE MENTAL PARA 54% DOS BRASILEIROS


Imagem meramente ilustrativa. Disponível aqui.


Como parte da 4ª edição da pesquisa Hábitos Culturais, realizada pela Fundação Itaúem parceria com o Datafolha, foi feito um levantamento sobre a contribuição de atividades culturais para a saúde mental.


De acordo com a pesquisa, a cultura é apontada por 54% dos indivíduos como a atividade que mais proporciona bem-estar, seguida por outras atividades de lazer (parques, igrejas, praia, passeios) e de atividades físicas e esportivas, ambas com 19% das respostas. 3% mencionaram séries e novelas e 9% não souberam informar.


Entre os 2.405 entrevistados, 61% concordaram plenamente que programas culturais reduzem o estresse, 58% dizem que melhoram o relacionamento em casa, 61% apontam que diminui a sensação de tristeza. Já 57% informam que atividades culturais melhoram a qualidade de vida, 61% indicam diminuição da solidão e 50% dizem ajudar na melhora do relacionamento no trabalho.

De acordo com o levantamento, 42% dos entrevistados declararam ter tido algum problema de saúde mental nos últimos 12 meses e que, destes, 63% procuraram algum tipo de tratamento.


Ainda segundo a pesquisa, as mulheres (53%) foram mais afetadas pelas questões de saúde metal e emocional que os homens (30%). A incidência foi maior, também, entre os indivíduos das Classes D e E (51%) do que entre os entrevistados das Classes A e B (33%).

 

Fonte: Redação/Cultura e Mercado

Disponível em: https://culturaemercado.com.br/cultura-tem-impacto-positivo-na-saude-mental-para-54-dos-brasileiros/

domingo, 14 de janeiro de 2024

EDITAIS DO FUNDO DE CULTURA DA BAHIA PRORROGADOS ATÉ SEGUNDA-FEIRA (15)



A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBa) PRORROGOU inscrições para o Edital do Fundo de Cultura para o Apoio a Ações Continuadas de Instituições Culturais e para o Edital de Eventos Culturais Calendarizados até a próxima segunda-feira (15). Os certames, no valor total de R$ 55,6 milhões, vão selecionar propostas de instituições culturais, Organizações da Sociedade Civil (OSC) e pessoas jurídicas com fins lucrativos, inclusive MEI, através do Fundo de Cultura da Bahia, ampliando a participação e os recursos para a área da Cultura. Os interessados poderão acessar se inscrever aqui

Para o secretário de Cultura, Bruno Monteiro, os editais são importantes para fomentar as ações culturais de organizações que, historicamente, promovem a arte e as manifestações da cultura baiana. “Esses editais foram fruto de um grande trabalho de atualização e qualificação, o que fez com que se tornassem mais acessíveis. Estamos ampliando os certames em recursos, tornando o processo também mais plural e democrático. Queremos territorializar ainda mais o apoio a quem faz cultura e esses editais podem nos ajudar nesse caminho”, destacou o secretário. Uma das novidades dos editais do Fundo de Cultura deste ano são os indutores de pontuação diferenciada para propostas oriundas do interior do estado. 

O Edital de Apoio a Ações Continuadas de Instituições Culturais vai investir R$ 30 milhões em propostas de Organizações da Sociedade Civil (OSC) . Os valores de apoio passaram de R$ 7,5 milhões para R$ 10 milhões ao ano (2024 a 2027), distribuídos a partir de duas categorias. A primeira para instituições com atividades culturais regularmente desenvolvidas há mais de 20 anos com propostas de até R$ 1 milhão anuais, totalizando até R$ 3 milhões para o triênio 2024/2027 e propostas de até R$ 700 mil anuais, totalizando até R$ 2,1 milhões para o triênio 2024/2027.

A segunda categoria para instituições com atividades culturais regularmente desenvolvidas há pelo menos 05 anos, com propostas de até R$ 500 mil anuais, totalizando até R$ 2 milhões para o triênio 2024/2027; até R$ 300 mil anuais, totalizando até R$ 1,5 milhão para o triênio 2024/2027; e até R$ 200 mil anuais, totalizando até R$ 1,4 milhão para o triênio 2024/2027. O número de instituições contempladas passou de 17 para 22. 

O apoio do Edital de Apoio a Ações Continuadas de Instituições Culturais consiste na manutenção da execução de atividades culturais, regularmente desenvolvidas por instituições culturais, cujas ações desenvolvidas tenham relação com a diversidade cultural do estado, a exemplo de teatros, cinemas, centros culturais, museus, memoriais e similares, centros de preservação/educação patrimonial, bibliotecas, arquivos, escolas ou centros de formação em cultura e artes em geral.

Em reconhecimento à trajetória das instituições culturais e de suas colaborações para o desenvolvimento cultural do Estado da Bahia, o apoio financeiro concedido pelo Fundo de Cultura do Estado da Bahia será plurianual, de caráter complementar, com o fito de contribuir para a estabilidade financeira das instituições por 36 (trinta e seis) meses consecutivos, renováveis por até igual período, conferindo planejamento de médio e longo prazo às suas programações. 

O Edital de Eventos Culturais Calendarizados vai apoiar Organizações da Sociedade Civil (OSC) e pessoas jurídicas com fins lucrativos, inclusive MEI, para a promoção de eventos culturais já consolidados, ou que tenham essa previsão, no calendário cultural do estado da Bahia, contemplando os diversos segmentos, públicos e linguagens artísticas e culturais. O investimento total é de R$ 25,6 milhões, distribuídos em R$ 6,4 milhões anual (2024 a 2027). O apoio vai contemplar 26 eventos, o dobro de propostas contempladas no edital anterior de 2016. 

O investimento será distribuído a partir de seis faixas de apoio: A faixa A vai contemplar pelo menos 04 propostas de até R$ 500 mil; faixa B pelo menos 03 propostas de até R$ 400 mil; faixa C pelo menos 03 propostas de até R$ 300 mil; faixa D pelo menos 04 propostas de até R$ 200 mil; faixa E pelo menos 06 propostas de até R$ 150 mil; faixa F pelo menos 06 propostas de até R$ 100 mil.

O Edital de Eventos Culturais Calendarizados vai apoiar a realização de até 04 edições de eventos culturais calendarizados de interesse público e recíproco, com execução nos anos de maio/2024 a abril/2028. O apoio será a 26 eventos, realizados diretamente por pessoas jurídicas, com temática cultural específica ou diversificada, sob forma de bienais, colóquios, conferências, congressos, convenções, encontros, feiras, festivais, fóruns, jornadas, mostras, painéis, salões, seminários, simpósios e similares, com periodicidade mínima anual e duração igual ou superior a um dia. 

A iniciativa da SecultBa, por meio da Superintendência de Promoção Cultural, tem como objetivo incentivar as expressões culturais enquanto aspectos da construção de identidade do estado mantendo um calendário cultural que contemple diversos segmentos, públicos e regiões.

Fonte: Secult/BA