segunda-feira, 31 de janeiro de 2022

NOVO EDITAL DA CULTURA DO PARANÁ VAI PREMIAR RELATOS DE EXPERIÊNCIAS DURANTE A PANDEMIA


A Universidade Estadual do Paraná (Unespar) e a Secretaria de Estado da Comunicação Social e da Cultura (Secc), por meio da Superintendência-Geral da Cultura, abrem as inscrições para o Edital Memorial de Vivências com recursos da Lei Aldir Blanc. Ao todo, 1.065 artistas de dez segmentos culturais serão contemplados com um prêmio individual de R$ 5 mil, totalizando um investimento de R$ 5.325.000,00.

A iniciativa tem como objetivo eternizar as expressões, nas diferentes linguagens artísticas e culturais, das vivências, saberes e fazeres durante o período pandêmico por meio de um museu virtual. O edital é voltado para trabalhadores e trabalhadoras da cultura pessoa física, residentes no Paraná. As inscriçõesprosseguem até 17 de fevereiro pelo sistema Sic.Cultura. Os interessados devem enviar um vídeo-depoimento, entre 15 e 30 minutos, no ato da inscrição.


No intuito de descentralizar os recursos, as vagas foram divididas em 70% para o interior do Estado e 30% para a Capital. São contempladas as seguintes áreas: artes visuais, audiovisual, cultura tradicional, diversidade cultural, dança, ópera ou circo, música e técnicos. Para participar, é necessário comprovar a atuação de, no mínimo, dois anos na área.

Segundo Luciana Casagrande Pereira, superintendente-geral de Cultura do Paraná, é importante que as políticas públicas viabilizem a cultura do futuro, mas é imprescindível que se valorize também a memória cultural. “O Memorial de Vivências foi pensado com esse intuito: permitir que os trabalhadores e trabalhadoras da Cultura do Estado contem suas histórias com as artes e o fazer cultural para que se registre esse momento particular que vivemos”.


quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

ABERTAS INSCRIÇÕES PARA SELEÇÃO POESIA BRASILEIRA, POESIA LIVRE 2022



A forma como se produz poesia no Brasil, mudou drasticamente nos últimos 10 anos, muito bem-vinda uma legião de novos autores produzindo obras de conceituada qualidade literária, concomitante ao frenesi do momento político-pandêmico, as redes sociais conseguem espalhar também a poesia. Muitos e ainda anônimos poetas, generosamente nos presenteiam com suas obras-primas.

Atenta ao momento, a Vivara Editora Nacional, transportará a arte das redes para os livros. Estão abertas as inscrições para, Seleção Poesia Brasileira, Poesia Livre 2022. Podem participar da seleção, todos os brasileiros natos ou naturalizados, maiores de 16 anos. Cada candidato pode inscrever-se com até dois poemas de sua autoria, com texto em língua portuguesa. O tema é livre, assim como o gênero lírico escolhido. Serão 250 poemas classificados. A classificação dos poemas resultará no livro, Poesia Livre 2022, Antologia Poética.

O certame está entre as mais destacadas seleções literárias da língua portuguesa. A licença poética em pleno exercício, através do ineditismo da nova poesia em sua forma e conteúdo. A poesia contemporânea egressa do cotidiano, merecedora das condições de permanência entre o que há de melhor no patrimônio literário brasileiro. A seleção literária é uma importante iniciativa de produção e distribuição cultural, alcançando o grande público, escolas e faculdades.

Inscrições gratuitas.

De 05 de dezembro de 2021 a 05 abril de 2022 pelo site, www.poesialivre.com.br

Para o esclarecimento de dúvidas, escreva para o endereço da Vivara Editora Nacional, atendimentotelefone@vivaraeditora.com.br

Realização: Vivara Editora Nacional

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

SECULT LANÇA CARTILHAS ONLINE E VÍDEOS SOBRE GESTÃO ESTRATÉGICA NA ÁREA DO LIVRO E LEITURA




O Departamento de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas – DLLLB, da Secretaria Especial de Cultura, do Ministério do Turismo, lança cinco vídeos e quatro cartilhas online que tratam da temática Livro e Leitura: acesso, pluralidade e fortalecimento da cadeia produtiva. 

As cartilhas e vídeos abordam as dimensões simbólica, cidadã e econômica que envolvem o setor de livro e leitura e são apresentados de forma didática e criativa. Para cada categoria de público, foram desenvolvidos cartilha e vídeo específicos com as seguintes abordagens: 

• Cartilha 1 – Responsáveis Políticos: trata das legislações; possibilidades de cooperação; planejamento estratégico e tomada de decisões na área do livro e leitura. 

• Cartilha 2 – Gestores Públicos: aborda os marcos legais; cadeias do livro; elaboração de planos e leis; parcerias com a sociedade civil; potencial econômico do setor e possibilidades de financiamento.

• Cartilha 3 - Profissionais de Bibliotecas: trata da bibliodiversidade; acessibilidade e inclusão; cibercultura; análise dos públicos de bibliotecas; planos de marketing; gestão de projetos na área; serviços e produtos. 

• Cartilha 4 - Educadores e Profissionais da Área do Livro, Leitura e Literatura: aborda a formação de leitores; mediadores de leitura; bebetecas; plataformas de livros; setor editorial; feiras e projetos de difusão do livro. 

As cartilhas e vídeos permanecerão disponíveis gratuitamente para consulta e download no site da Secretaria Especial da Cultura, acesse: https://bit.ly/3F5y1HK

O setor do livro e leitura gera desenvolvimento social e econômico para o país. Estudo realizado em 2018 pela Fundação Getúlio Vargas revelou que no âmbito da Lei de Incentivo à Cultura, desde sua criação, a área de humanidades (que contempla o setor editorial, publicações de livros e eventos literários) possui o maior índice de alavancagem individual – de R$ 1,69 – enquanto as demais áreas culturais apresentam índice médio de R$ 1,59. Ou seja, para cada R$ 1,00 de patrocínio aplicado em feiras literárias e produção de livros, R$ 1,69 é movimentado na economia como um todo. Portanto, apesar de os projetos da área de humanidades terem um custo menor se comparado às outras áreas culturais, sua execução gera um impacto econômico maior. O estudo mostrou ainda que a área de humanidades movimentou R$ 5 bilhões desde a publicação da Lei de Incentivo à Cultura. 

Ainda, o hábito da leitura fomenta o conhecimento, inovação e cidadania com efeitos na diminuição da violência e geração de emprego e renda. As políticas públicas voltadas para a área do livro, leitura e literatura no Brasil possuem marcos legais importantes que traçam ações estratégicas de fomento, como a Política Nacional do Livro – PNL (Lei nº 10.753/2003), o Plano Nacional do Livro e Leitura – PNLL (Decreto nº 7.559/2011) e a Política Nacional de Leitura e Escrita (Lei nº 13.696/2018).

O material é resultado da cooperação técnica internacional entre a Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo, por meio do DLLLB, a UNESCO e a Agência Brasileira de Cooperação – ABC. O material foi produzido pelo Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais - IPCCIC e contou com investimento de R$ 152.700,00 para sua realização.

- Dúvidas e Informações 






Fonte: Ascom/ Secult

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

PROTEJA SUA OBRA COM O REGISTRO DE DIREITO AUTORAL EM BLOCKCHAIN



O registro de direitos autorais em blockchain é uma das formas mais seguras de proteger a sua produção intelectual de fraudes e plágios. No Portal de Serviços da CBL, a certificação é realizada por meio dessa tecnologia, que veio para revolucionar o processo. 

O blockchain é como um livro de registros público, onde todos conseguem verificar a autenticidade das informações. A maior vantagem desta tecnologia é que ela certifica a autoria ou a titularidade da sua obra de maneira extremamente segura. Isto porque ela impede a alteração de dados em um sistema.

O blockchain também descomplicou o processo. Nada mais de papelada ou burocracia. No nosso portal, você realiza o registro virtualmente, com agilidade e segurança. Em dois dias úteis da confirmação do pagamento você já recebe o seu certificado de validade global.

Acesse o nosso site www.cblservicos.org.br e garanta o registro de uma obra de sua autoria! 

Confira o valor: 

Registro de direitos autorais: R$ 69,90 

Ficou com alguma dúvida? Basta enviar um e-mail para Samuel Batista: registro@cbl.org.br

sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

DECLARAÇÃO DO FORRÓ COMO PATRIMÔNIO CULTURAL E IMATERIAL DO BRASIL LEGITIMA A DIVERSIDADE MUSICAL DO PAÍS




ANÁLISE – A declaração do forró como patrimônio cultural e imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) fez justiça na quinta-feira, 9 de dezembro de 2021, a um universo musical tão importante quanto o samba para a construção da identidade sonora do Brasil. 

Por visão etnocêntrica carioca, o samba sempre foi apresentado como o “ritmo nacional” porque a cidade do Rio de Janeiro (RJ) é percebida como a capital cultural do Brasil. 

É assim que o mundo vê a música do Brasil, embora a recente visibilidade planetária do funk esteja reconstruindo essa identidade musical criada nos anos 1940 – com a ascensão nos Estados Unidos da cantora Carmen Miranda (1909 – 1955), voz do samba que acabou propagando a rumba no mercado norte-americano – e alicerçada com a explosão da Bossa Nova nos EUA a partir de 1962. 

Só que, dentro das fronteiras do Brasil, o forró sempre foi tão importante quanto o samba. Com a diferença de que, a rigor, forró nunca foi um gênero musical como o samba. Forró é rótulo genérico que designa diversos gêneros musicais nordestinos, como baião, xaxado, xote e quadrilha – ritmos recorrentes na obra de Luiz Gonzaga (1912 – 1989), grande pilar da música da nação nordestina.

LEIA A MATÉRIA COMPLETA CLICANDO AQUI.


Texto: Mauro Ferreira, jornalista carioca que escreve sobre música desde 1987, 
com passagens em 'O Globo' e 'Bizz'. Faz um guia para todas as tribos. Portal G1.

sexta-feira, 26 de novembro de 2021

LIVROS PUBLICADOS POR EDITORAS INDEPENDENTES VENCEM O PRÊMIO SP DE LITERATURA



O Prêmio São Paulo de Literatura anunciou na manhã desta terça (23), os vencedores da sua 14ª edição. Depois de receber 281 inscrições, a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado divulgou que o mineiro Edimilson de Almeida Pereira foi o escolhido na categoria Melhor Romance do Ano de 2020 com o livro Front (Nós). Já em Melhor Romance de Estreia do Ano de 2020, a vencedora foi a gaúcha Morgana Kretzmann, autora do livro Ao pó (Patuá). Cada ganhador receberá R$ 200 mil.

Poeta, ficcionista, ensaísta, professor e pesquisador da cultura e da religiosidade afro-brasileiras, Edimilson narra em Front, a trajetória de um homem nascido na miséria e que sobrevive do que encontra no lixo. Ele se constitui a partir dos escombros de uma cidade hostil e monta, peça por peça, o mosaico da sua subjetividade com os estilhaços de uma vivência de violência, abandono e desigualdade. Edimilson participa da 19ª edição da Flip o dia 28 de novembro, às 18h, na mesa "Folhas e verbos", que contará ainda com a participação de Véronique Tadjo e mediação de Joselia Aguiar.

Já a atriz, roteirista e produtora cultural Morgana Kretzmann, traz em Ao pó, a história de vingança de uma mulher que foi abusada sexualmente na infância e leva o leitor a refletir sobre as mais dramáticas experiências da condição humana.

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Festival de Dança Itacaré inscreve para atividades formativas gratuitas



Festival de Dança Itacaré – Edição IX está com inscrições abertas para oficinas, palestras e rodas de conversas que serão realizadas ao longo do evento que acontece entre os próximos dias 08 e 14 de novembro. O evento ainda contemplará o lançamento do documentário Tenho Festival de Dança Itacaré – Edição IX está com inscrições abertas para oficinas, palestras e rodas de conversas que serão realizadas ao longo do evento que acontece entre os próximos dias 08 e 14 de novembro. O evento ainda contemplará o lançamento do documentário Tenho ouvido pra dançar, danças filmadas e performances gravadas. Mais detalhes estão disponíveis no site oficial https://festivaldedancaitacare.com.br/ANO-IX/.

Apesar das atividades serem gratuitas, as vagas são limitadas. Por isso, as pessoas interessadas devem garantir sua participação através da plataforma Sympla. Os detalhes sobre dias e horários das atividades que serão realizadas entre os dias 08 e 13, bem como os currículos dos profissionais que irão conduzi-las, estão disponíveis no site. 

As oficinas previstas são: Mito Pessoal e Mistério do Inconsciente, com Tânia Bispo; Corpo-cidade-casa: habitar a si para habitar o mundo, com Fabiana Dultra Britto, Clara Passaro, Dilton Lopes de Almeida Júnior, Gábe Maria Pires dos Santos, Júlia Domínguez, Maria Eduarda Azevedo e Rafaela Lino Izeli; e Estéticas plurais: a diáspora em movimento, com Soraya Martins.

O Festival de Dança Itacaré – Edição IX vai promover conversas com grupos e profissionais diversos. A primeira será Roda de Conversa – BTCA 40 anos, com Mônica Nascimento, Fernanda Santana, Paullo Fonseca e a diretora artística do BTCA, Ana Paula Bouzas. A segunda será Centro de Formação em Artes: Por Uma Política Formativa Afrodiaspórica. Os convidados serão Jacson do Espírito Santo, diretor do CFA, e Márcio Fidélis, professor do Curso Técnico em Dança da Funceb. Já o último bate-papo, Processos Criativos - Performances Gravadas, reunirá os artistas Letícia Sekito, Felipe Lwe, João Rafael Neto e Giltanei Amorim.

As palestras que integram a programação do Festival de Dança Itacaré – Edição IX são Grupo GIRA: ativismo acadêmico na dança, com Amélia Conrado. A atividade é um convite à uma reflexão sobre estratégias de ativismo acadêmico na área da dança, o qual emerge da presença de atores sociais e das políticas afirmativas no campo das artes e culturas. A segunda palestra será Histórias do Corpo, com Ivana Menna Barreto, que vai falar sobre o projeto de pesquisa que aborda textos e trabalhos sobre as muitas histórias contadas a partir da colonização no Brasil.

O projeto Festival de Dança Itacaré – Edição IX tem apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

Senegalês ganha maior prêmio literário da França com romance sobre busca pelo “Rimbaud negro”



Senegalês Mohamed Mbougar Sarr, 31, ganha prêmio Goncourt 2021 com livro "La plus secrète mémoire des hommes". © AFP - BERTRAND GUAY

O anúncio foi feito nesta quarta-feira (3) e não se pode dizer que foi uma surpresa. Há dias as apostas da imprensa especializada indicavam que o romance "La plus secrète mémoire des hommes" (A mais secreta memória dos homens, em tradução livre) era o favorito para a premiação.

Com uma escrita ambiciosa, em que diversos gêneros literários se revezam, o livro conta a busca de um jovem escritor senegalês para resgatar a memória de um autor que ficou conhecido como o “Rimbaud negro” após publicar um livro que causou escândalo na Paris de 1938. 

Diégane vai seguir o rastro do misterioso T.C. Elimane e, nesse percurso, enfrentar dois dos grandes apocalipses do século 20: o colonialismo africano e o Holocausto. A história vai do Senegal à França passando pela Argentina, em uma narrativa que explora a mais importante questão da literatura: por que, como e para quem escrevemos?

“É um livro de iniciação sobre a paixão pela literatura, a vontade de escrever, sobre a vontade de encontrar um sentido através da criação”, resumiu o autor Mbougar Sarr em uma entrevista concedida em agosto.

Para o presidente da Academia Goncourt, Didier Decoin, o livro é um “hino à literatura".

Três décadas de vida e quatro livros

Este é o quarto romance do jovem autor que publicou seu primeiro título em 2014, quando tinha apenas 24 anos. Nascido em Dakar e o mais velho dos filhos de um médico, Sarr dedicou seus estudos em Paris à literatura negra e abandonou seu doutorado para abraçar a escrita.

A escolha mostrou-se acertada. Seu primeiro romance, “Terre ceinte”, sobre a vida em um vilarejo sob domínio de milícias jihadistas, ganhou três prêmios literários.

Com “Silence du choeur”, seu segundo romance, Sarr levou duas outras condecorações pelo livro que aborda a vida dos imigrantes africanos na Sicília. Em 2018, ele faz uma escolha ousada e lança "De purs hommes", um romance sobre a experiência homossexual no continente africano.

Apesar dos prêmios e da recepção favorável da imprensa, o senegalês até então era pouco conhecido do público na França e no mundo. No Brasil, nenhum dos seus títulos tem tradução para o português.

A conquista do Goncourt por seis dos dez votos do júri deve mudar esta história. O prêmio é conhecido por provocar euforia de venda, tendo alguns de seus títulos ganhadores ultrapassado a fronteira dos milhões de exemplares vendidos. 

Ao chegar ao mítico restaurante Drouant, em Paris, onde acontece a cerimônia do Goncourt, o jovem poupou palavras à imprensa. "Eu sinto muita alegria", disse.

A veterana Amélie Nothomb

O prêmio Renaudot, também anunciado nesta quarta-feira, foi conquistado pela escritora belga Amélie Nothomb e seu romance “Premier sang” (Primeiro sangue, em tradução livre).

Para essa autora sucesso de vendas e com dezenas de livros editados, alguns traduzidos em português, o prêmio servirá de homenagem ao pai. Seu romance ficciona as memórias de seu pai, morto em 2020.

* Com informações de Catherine Fruchon-Toussaint, da RFI, e da AFP

segunda-feira, 11 de outubro de 2021

FERNANDO LEITE MENDES, O CRONISTA A SE RESGATAR POR HENRIQUE FENDRICH*


Há um time de grandes cronistas mais ou menos célebres, tido como a “geração de ouro da crônica”, mas também há nomes que ficaram esquecidos com o passar dos anos e cujo resgate pode evidenciar que eles não faziam feio em meio aos “medalhões” do gênero. Cyro de Mattos e Ivo Korytowski se propuseram a resgatar um desses nomes, o jornalista e escritor baiano Fernando Leite Mendes (1931-1980), de atuação na TV Tupi, e organizaram “O gigante e a bicicleta e outras belas crônicas” (Via Litterarum, 2020), obra que dá boas mostra da produção desse cronista.

Fernando é cronista que se destaca pela elegância da sua linguagem e pela cultura de suas referências, assemelhando-se, nisso, ao Henrique Pongetti, outro cronista de sucesso e talento que, no entanto, mal é lembrado nos dias de hoje. Fernando apresenta notável acento lírico, como aquele que mais se valoriza em cronistas como Rubem Braga e Paulo Mendes Campos. Algumas de suas crônicas são perfeitos poemas em prosa (vide “A monja e os sinos”).

A exemplo de Paulo Mendes Campos, ele também usa a crônica como forma de fazer certos exercícios poéticos, entre os quais se destaca “Uma carga de esperança”, crônica sobre um caminhão em que viajavam várias freiras. A partir disso, o cronista parte para especulações líricas sobre aquele evento, nas quais revela a visão mais humanizada que tinha da religião. Há ainda “A alma e a carta”, verdadeiro esparramo lírico a valorizar o “literário” na crônica.

Fernando Leite Mendes também se mostra um grande criador de cenários. A partir de um evento específico (o despejo de uma velha senhora, um suicídio na Torre Eiffel), ele como que dá um giro de 360 graus para retratar o entorno e assim mostrar tudo o que acontece conjuntamente à história que relata. A sensibilidade do seu olhar deixa essas pequenas histórias ainda mais bonitas.

Também ele se ocupa de notícias dos jornais, também ele capta, em meio a fatos frios e objetivos, a centelha de vida e poesia que merece ser eternizada, subvertendo os valores-notícia que costumam orientar a produção jornalística. “O burro sumiu” lembra muito a forma como o Braga tratava as notícias. Nem se diga que não estava atento aos eventos do seu tempo, mas mesmo a ditadura recém-inaugurada recebeu dele não um artigo, e sim uma crônica em forma de alegoria, a sua defesa, como cronista, diante da tirania vigente.

A passagem do tempo, indissociável ao próprio conceito de crônica, também não lhe escapa, e, como é tradição, também há aqui e ali um passarinho (se bem que o fim deles possa não ser muito bom nas crônicas de Fernando). Às vezes, a crônica exigia um conto infantil de Fernando, às vezes uma história divertida do cotidiano, uma análise brejeira dos costumes da sociedade, e dessas obrigações todas o escritor não se furtava e as realizava a contento.

Fernando cultivou a crônica com paixão durante grande parte da vida e essa pequena mostra evidencia o seu talento e o acerto do seu resgate.



* Henrique Fendrich é escritor e jornalista. Editor da revista digital da crônica RUBEM, criada para homenagear o cronista Rubem Braga.

quinta-feira, 30 de setembro de 2021

ÚLTIMO DIA DE INSCRIÇÕES FESTIVAL DE DANÇA ITACARÉ




Hoje é nosso último dia de inscrições da Convocatória!!! Ainda dá tempo!!! Convidamos artistas solo, grupos, coletivos ou companhias de dança que desenvolvem investigação em dança contemporânea, com atuação no âmbito estadual e nacional, para participarem do Festival de Dança Itacaré Edição IX.

Inscrições no site https://festivaldedancaitacare.com.br/ANO-IX/