terça-feira, 30 de julho de 2013

CONFERÊNCIA DE CULTURA EM ILHÉUS DISCUTE PPA 2014-2017


A Prefeitura de Ilhéus, através da Secretaria Municipal de Cultura (Seduc), promove neste final de semana (2 e 3 de agosto), no auditório do Instituto Municipal de Ensino Eusínio Lavigne (IME), localizado na Avenida Canavieiras, a edição 2013 da Conferência Municipal de Cultura. O evento, que deverá contar com a presença de representantes de diversos segmentos do setor, será aberto às 19 horas, prosseguindo no sábado, das 8 às 16 horas. Durante a conferência, a sociedade terá a oportunidade de discutir o Plano Plurianual (PPA), instrumento que norteará as políticas públicas da cultura local para os próximos quatro anos (2014-2017).

O secretário de Cultura de Ilhéus, Paulo Atto, (FOTO) enfatiza que a proposta é que o PPA seja um instrumento de mediação entre a gestão e o planejamento do setor, na medida em que consiga articular as políticas públicas e viabilizar o diálogo franco com a sociedade e com os governos Estadual e Federal. “Tudo isso tornará possível a captação de recursos e, consequentemente, a ampliação das realizações governamentais”, reitera o secretário municipal.

Políticas culturais – Paulo Atto lembra que as conferências de cultura são espaços de debate e proposição de ações, políticas e programas voltados para o campo cultural, sempre com a participação de representantes do poder público, da sociedade civil e das comunidades culturais, além de artistas, produtores, agentes e articuladores. “Na verdade, é uma das formas da sociedade civil interferir e participar da formulação e da execução das diversas intervenções públicas, para garantir uma gestão democrática da política cultural do município, do estado e do país”, completa, acrescentando que “essas promoções são, também, importantes componentes globais do chamado Sistema de Cultura”.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

SIM, NÓS TEMOS ESCRITORES!

Heitor Brasileiro Filho
Não vou falar do nosso escritor-mor, nem daqueles que conseguiram notoriedade no campo das letras por este país a fora. Primeiro porque muitos já o conhecem e até mesmo àqueles que não leram ainda uma de suas obras, certamente já ouviu falar. Entretanto, estes, anônimos tecelões da literatura ilheense às vezes passam despercebidos por nós, na Rua Dom Pedro II, quando se debruçam para ver as últimas novidades da literatura nacional e internacional na Livraria Papirus – o único point das letras de Ilhéus.
Talvez eu não consiga nomear todos neste pequeno espaço, mas, certamente trarei à memória os nomes que tenho visto, paulatinamente, entrar no mercado ou criar seu próprio nicho. Assim, eu começo com o homem do conto direto: Rodrigo Melo, que recentemente admitiu que “a culpa” da seleção canarinho perder a copa de 1982 é dele. Quer saber como, é só ler a coletânea de contos do livro “Uma copa, 15 histórias,” onde Rodrigo, o ilheense que nasceu no ano do javali, no ano que Neruda se vingou, nos brinda com um dos seus escritos.
Meu taciturno, e extremamente observador, amigo, Heitor Brasileiro Filho, para quem os versos saltam de seus hai-kais e poemas, finalmente lançou para o mundo sua primeira obra “O Chão e a Nuvem”, fazendo de sua poesia – como ele próprio afirma – “seu esporte radical.” Heitor que, certeiro e profundo percebeu que “Não havia mais/caminho/só/uma pedra”, uma referência direta a epidemia que nos assola.
Debruçado sobre a estante, deparo-me com Geraldo Lavigne de Lemos “À Espera do Verão”. Geraldo, como bem afirma Bruno Susmaga na apresentação do livro, “é aquele menino que o bom e velho Ton (Ton era seu pai), apertava nos braços e apontava o horizonte...”. Geraldo que ao descrever “culto aos homens” descobre que “com seus anseios tolos/abre veredas/sobre os espinhos/e espera caminhar confortável.”
Pego no visgo da jaca, aberta à minha frente, e recordo-me de “Visgueira”, poema de André Rosa, que me faz entender que “Eu tenho a língua torta/Dos dias vadios/E os membros rijos/De um jequitibá maduro.” Pergunto-me: pode brotar versos perspicazes de um doutor da nossa história? E a resposta é imediata: Sim! Então, ao folhear “Quintais do Tempo”, de André, onde “Visgueira” e outros poemas compõem sua obra, me emociono.
E, se, de repente, enveredo-me pelo mundo dos duendes e mágicos, cheio de porções antigas, dou de cara com a mineira, radicada ilheense, Sílvia Kimo Costa. Afinal, “quem disse que mau-humor é coisa somente para adultos? O pequeno feiticeiro Lucas vive no Mundo dos Sonhos, onde também mora uma turminha super alto-astral... mas ele é tão mau-humorado! Então, Lucas vai descobrir o segredo deste mal através de uma poção, feita pela bruxinha Carol.” É assim que começa “A Porção que Espanta o Mau-humor” de Sílvia. “Uma historinha que se passa na Floresta Encantada e revigora o mundo da fantasia, dos sonhos, em meio a muitas ilustrações, que tornam o texto mais vivo e colorido.”
“Este é o meu quintal,/Minha cancela aberta,/Árvore arraigada na minha história,/Com sementes que trago nas minhas mãos fechadas.” Assim finaliza Rita Santana o poema “Dona Ester Ferreira”, quando lançou seu primeiro livro “Tratado das Veias.” Rita, a poetisa e atriz que, como bem afirma Jorge de Souza Araújo (este dispensa comentários), “atua e encena em sua poética vibrantes exercícios de memória telúrica e evocações imperecíveis.”
E por fim, querido amigo leitor, “há sempre um risco de iniciar-se um verso no papel vinco ao acaso,” relata o premiado poeta Marcos Vinicius Rodrigues, autor de “Pequeno Inventário das Ausências” (Prêmio Brasken  2001), um ilheense “andando sobre o lodo do mar que esvai.”
Rodrigo, Heitor, Geraldo, André, Sílvia, Rita e Marcos são apenas “a ponta do iceberg.” Homens e mulheres apaixonados pela escrita, pelo verso, pela palavra livre, pelo amor às letras.


Fotos: (De cima para baixo: Heitor Brasileiro, Rodrigo Melo, Sílvia Kimo, Geraldo Lavigne, André Rosa, Rita Santana e Marcos Vinicius Rodrigues.

terça-feira, 23 de julho de 2013

BAHIA PERDE MAIS UM MESTRE DAS ARTES CÊNICAS


A Fundação Cultural e a Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (e nós também da Comunidade Tia Marita) lamentam imensamente o falecimento do ator, diretor e professor titular da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Armindo Bião (FOTO). Neste momento de pesar, nos solidarizamos à dor dos colegas, amigos e familiares pela perda deste importante mestre das Artes Cênicas, que tanto contribuiu para o desenvolvimento  do teatro baiano.

Armindo Bião nasceu em Salvador, em 1950. Além de professor titular da UFBA, também era professor associado à Université de Paris Ouest Nanterre La Défense e à Maison des Sciences de l’Homme Paris Nord, e doutor em Antropologia Social e Sociologia Comparada pela Universidade Sorbonne (França), tendo sido agraciado com o título de Chevalier des Arts et des Lettres, da República Francesa. Armindo Bião foi o primeiro coordenador do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas PPGAC/ UFBA (1997/ 2003) e o primeiro presidente da Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas ABRACE (1998/ 2002). Na UFBA, foi um dos responsáveis pela formação do GIPE-CIT (Grupo Interdisciplinar de Pesquisa e Extensão em Contemporaneidade, Imaginário e Teatralidade) e coordenador de diversas publicações, como “Repertório Teatro & Dança”; “Cadernos do GIPE-CIT”; e “Memória ABRACE”. Premiado ator e encenador, participou de cerca de 50 obras teatrais e audiovisuais. De 2003 a 2006, foi também diretor geral da Fundação Cultural do Estado da Bahia.

Armindo Bião faleceu neste sábado, no Hospital Aliança, onde estava internado há 15 dias por conta de leucemia. Seu sepultamento foi realizado domingo, no Cemitério Jardim da Saudade, às 15h.


domingo, 21 de julho de 2013

ÚLTIMA SEMANA DE 1789 TERÁ SESSÕES DE SEGUNDA A QUINTA

Foto: Flávio Rebouças
A última semana do espetáculo 1789 acontecerá entre a próxima segunda e quinta-feira (22 a 25). O horário das apresentações continua às 20 horas, na Tenda do Teatro Popular de Ilhéus. Como parte do elenco é composta por membros do Terreiro Matamba Tombenci Neto e, nos dias 26 e 28 a instituição religiosa estará em festa, o final da temporada foi antecipado. Os ingressos custam R$ 20 e R$10, podem ser adquiridos no cartão de crédito, débito ou pelo Cartão TPI. Reservas pelo telefone (73) 4102-0580.
            
A montagem do Teatro Popular de Ilhéus (TPI) tem atraído diferentes públicos em cada sessão. Além da comunidade local, turistas de várias partes do Brasil, como Goiás, Distrito Federal, Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul já marcaram presença. Nesta semana, alunos do Colégio Estadual Paulo Américo de Oliveira, de Ilhéus, também compuseram o público, comprometendo-se a entregar uma atividade escolar sobre a peça.
            
O levante dos escravos do Engenho de Santana, ocorrido no final do século XVIII, é o tema principal de 1789. Mas o espetáculo trata de questões mais profundas, a exemplo da relação entre patrões e empregados, direitos humanos e responsabilidade social. São 20 atores, atrizes, músicos e bailarinos que, com muito dinamismo, misturam história e ficção na narrativa escrita e dirigida por Romualdo Lisboa.

A trilha sonora e direção musical de 1789 são de Elielton Cabeça, coreografia de Zebrinha e maquiagem de Guto Pacheco. O espetáculo é patrocinado pelo Fundo de Cultura da Bahia, através do edital setorial de teatro. A produção é de Pawlo Cidade, da Associação Comunidade Tia Marita. 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

ARTISTA PLÁSTICO RILDO FOGE RETRATA TEMPOS ÁUREOS DE ILHÉUS EM GRAFITE

           
Painel de Rildo Foge, foto de Karoline Vital

O artista plástico Rildo Foge está finalizando a intervenção urbana “Por uma Ilhéus mais Viva”. Utilizando a técnica do grafite, ele retrata cenas cotidianas das décadas de 1920 e 30, quando o povo grapiúna vivenciava o apogeu da lavoura cacaueira. Ao todo, serão oito painéis em muros e paredões de imóveis públicos e privados, autorizados pelos seus proprietários ou responsáveis. O lançamento será no próximo dia 25.
            
Anteriormente, o artista realizou o projeto com recursos próprios. Desta vez, conta com patrocínio da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Funceb), através do edital do Calendário das Artes, o que permitiu a ampliação das obras de arte urbana. A iniciativa conta ainda com apoio do Teatro Popular de Ilhéus. Além dos painéis, será criado um folheto com fotos, informações e localização dos painéis para facilitar o acesso às obras de arte. A maior parte está no Centro Histórico e pontos turísticos da cidade.
            
O lançamento da intervenção urbana foi programado para integrar as comemorações oficiais dos 479 anos de fundação e 132 anos de emancipação política de Ilhéus, em 28 de junho. Mas, as fortes chuvas atrasaram o cronograma das pinturas, já que todas são ao ar livre. Através do grafite, uma das expressões urbanas com notoriedade crescente, Rildo Foge passa a riqueza e beleza dos tempos áureos da cidade.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

GOVERNO DO ESTADO GARANTE DA COELBA E OI REPASSE DE R$ 51,8 MILHÕES PARA A CULTURA


O governador da Bahia, Jaques Wagner, o secretário Estadual de Cultura, Antônio Albino Canelas Rubim e o secretário Estadual da Fazenda, Luiz Alberto Bastos Petitinga, se encontram na próxima terça-feira, às 14 horas, no Salão de Atos do Gabinete do Governador, no CAB,  com  diretores do Grupo Neoenergia, Coelba e Oi, para assinarem  termos de compromisso de repasse no valor total de R$ 51,8 milhões ao Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA). Ainda na ocasião, será feito o anúncio dos Editais  Setoriais 2014 do FCBA.

O FCBA, gerido pela Secretaria de Cultura (Secult/BA), tem entre suas finalidades incentivar e estimular a produção artístico-cultural baiana, custeando total ou parcialmente projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas.

O recurso destinado ao Fundo pode ser deduzido do saldo devedor de empresas contribuintes do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). As contribuições da Coelba e da Oi para o Fundo de Cultura do Estado são autorizadas pela Lei nº 9.431/05.


Assessoria de Comunicação
Secretaria de Cultura (SECULT)
Ana Paula Vargas – (71) 9983.5278
Rodrigo Lago – (71) 82650071


domingo, 14 de julho de 2013

CRÔNICA

OS PERIQUITOS DE PEDRO
Por Pawlo Cidade

Charge de Pedro, criação de Pawlo Cidade

Eles viraram uma atração à parte. Chegam por volta das cinco da tarde e ficam por ali até quase anoitecer. Depois, seguem sua trajetória. E têm repetido esta cena vespertinamente. Fazem um escarcéu, cagam tudo, brincam, brigam, namoram, pulam de um galho para outro. Estou falando dos periquitos-verdes ou periquito-rico como são conhecidas as aves que pousam na Praça Pedro Mattos, em frente ao Teatro Municipal, e na amendoeira da Praça Dom Eduardo.
Não sou nenhum biólogo, mas, basta olhar a cor básica das plumas, com as partes inferiores e laterais da cabeça, peito e abdômen com um verde de tons amarelados para denominá-los de periquitos-verdes. A parte traseira da cabeça, a nuca, é de um verde levemente azulado. A base das asas é de um marrom oliváceo. O bico é amarronzado, mais claro no topo. A íris é de um marrom-escuro, com a pupila de cor negra. Os pés são de cor semelhante à do bico, porém mais escura. A cauda é longa, com penas de cor verde-azuladas.
O curioso é que eles vivem em casais e, segundo algumas pesquisas, permanecem unidos por toda a vida. Eles constroem ninhos em buracos nas árvores ou nas bainhas foliares de palmeiras, junto ao tronco.
Quando eles chegam, ficar embaixo das árvores pode resultar em prejuízo. Afinal, quem quer ser batizado com os excrementos a esmo que caem sem avisar? Não sei se Pedro - o mesmo que leva o nome da praça - estivesse vivo iria gostar do barulho das aves. Certamente, soltaria uns três palavrões e tentaria espantar os bichos, caso fosse escolhido por eles para tingir a cabeça ou a camisa. Não que Pedro Mattos fosse um cara impaciente. Pelo contrário, a sua impetuosidade se dava pela espontaneidade. Pedro não tinha papas na língua e falava tudo que lhe vinha à boca. Esse negócio de pensar primeiro podia se tornar para o velho diretor de Teatro, uma oportunidade perdida.
Talvez fosse por isso que Pedro Mattos era admirado e odiado ao mesmo tempo. Com Pedro, a velha máxima “ame-o ou deixe-o” fazia sentido. Era bem capaz, se vivo estivesse, de sair no próximo carnaval vestido de Periquito-verde, só pra contrariar os ambientalistas de plantão ou homenagear as aves do fim de tarde da Praça do Teatro. Do Teatro, não! De Pedro. Era ali que ele tomava seu cafezinho, acendia seu cigarro, criticava as peças de teatro, ridicularizava o sistema, fazia vigília para o Teatro ser erguido e rabiscava sua coluna semanal para o jornal Agora.
Os mais novos que agora fazem Teatro comigo, talvez nunca tenham ouvido falar de Pedro Mattos. Mas, eu, Alfredo Amorim, Marinho Rodrigues, Fábio Lago, Tânia Barbosa, Romualdo Lisboa, Valdiná Guerra, Janete Lainha, Jocélia Kaffer, Tereza Damásio, Telma Sá, Jorge Batista, Val Kakau, Andréa Bandeira e tantos outros, certamente, darão muita risada se neste exato momento estiverem imaginando o mestre Pedro Mattos, vestido de periquito-verde, desfilando pela Avenida Soares Lopes, em pleno domingo de carnaval, como só ele sabia fazer.
          Saudades, Pedro! A onze anos você partiu. 

domingo, 7 de julho de 2013

TEATRO TOTAL VEM AGITANDO AS ESCOLAS DE ITAGIBÁ E IPIÁU COM PEÇAS AMBIENTAIS

O Grupo Teatro Total vem apresentando nas escolas de Ipiaú e Itagibá os esquetes "O Teste das Cores" e "Os Dez Mandamentos do Desperdício." Ambos voltados para a Educação Ambiental. As apresentações têm o patrocínio da Mirabela Mineração, em parceria com o SESI - Ilhéus e fazem parte do Projeto Semeando e do Projeto Palco Verde. O grupo irá percorrer 16 escolas de Ipiaú e 15 de Itagibá, todas da rede pública municipal de ensino. Os atores Val Kakau, Aline Hafner e Andréa Bandeira estão amando trabalhar com as crianças.

 Aline Hafner, Andréa Bandeira e Val Kakau