sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

EDITORIAL


Apesar dos espetáculos de Teatro de hoje possuírem apenas um ato, isto não significa que ele é regido apenas pelo encenador, mas por toda uma equipe. Afinal, Teatro é trabalho de equipe.
P.C.

A CULTURA NÃO DEVERÁ TER 
APENAS UM ATO


Apenas dois temas são tratados na coluna que eu escrevo para o Diário de Ilhéus, todos os sábados. Um faz jus ao título que ela leva: Coxia. Portanto, o tema central é sempre o Teatro. O segundo assunto é a Gestão Cultural e todas as suas interfaces, seja na produção, seja na captação de recursos, seja na elaboração e gestão de projetos. Arte que aprendi a dominar com os feras da Fundação Getúlio Vargas e do Ministério da Cultura.

Completei neste ano no Teatro as famosas “bodas de prata”. Devia até ter feito uma exposição iconográfica sobre todos os trabalhos que realizei. Porém, infelizmente, não tive tempo ou não coloquei como prioridade no Plano de Trabalho que tracei no final de 2011.

Nos últimos quatro anos que estive à frente da Assessoria de Cultura da Fundação Cultural de Ilhéus, me dediquei exclusivamente à gestão da cultura, a sua organização e estrutura, à construção dos instrumentos que pudessem nortear a criação de um Sistema Municipal de Cultura. Missão cumprida. Graças ao empenho do presidente e todos os outros que estiveram envolvidos no processo, como o Conselho Municipal de Cultura e dezenas de outros artistas, hoje temos um Fundo de Cultura, um Conselho reestruturado, um Plano Municipal de Cultura com metas a serem cumpridas nos próximos dez anos. Portanto, um CPF da Cultura.

Aprendi muito à frente da Assessoria. Errei em alguns pontos, acertei em outros. Entretanto, apesar de todas as dificuldades consegui fazer entender o conceito de fomento. Embora, muito pouco se tenha feito. Fomento é uma palavra tão forte no processo de criação e produção cultural que a nova estrutura da Fundação Cultural de Ilhéus agora traz um cargo de direção comissionado chamado de “Divisão de Fomento a Cultura.” Resta saber se o futuro detentor desta cadeira irá entender a questão.

O fato é que a futura diretoria da Fundação irá receber um Plano “cheirando a leite.” E para que tudo dê certo, basta cumpri-lo. E isto independe da posição governamental que assumirá a diretoria.

Uma coisa é certa: a administração da Fundação Cultural de Ilhéus não deverá ter apenas um ato. Mas, vários atos, com um objetivo geral, metas, cronograma, planos de mobilização da classe artística e, sobretudo, um Plano de Formação e Qualificação, sem cortinas. Como os espetáculos contemporâneos que iniciam com a plateia chegando ao Teatro. Apesar dos espetáculos de Teatro de hoje possuírem apenas um ato, isto não significa que ele é regido apenas pelo encenador, mas por toda uma equipe. Afinal, Teatro é trabalho de equipe.

Por fim, acredito que a palavra chave é fomento. Que venha um novo circo, outros projetos, alguns festivais, cursos e oficinas a nível de extensão, valorização da classe local. É preciso pensar o local, com vistas ao global. Se pensar no global para fortalecer o local, a nova administração estará fadada ao fracasso. Espero que Lavoisier, em seu túmulo, não tenha se chateado com a paráfrase. 

Feliz Cultura 2013!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

LEI DO FUNDO MUNICIPAL DE CULTURA DE ILHÉUS É ALTERADA

Visando corrigir a distorção númerica referente aos repasses do Fundo Municipal de Cultura de Ilhéus, o prefeito Newton Lima publicou a Lei n. 3.638/2012 que Altera a Lei nº 3.454, de 14 de novembro de 2009, para corrigir o percentual do crédito que deve ser consignado na Lei Orçamentária Anual, em favor do Fundo Municipal de Cultura.

Os créditos consignados ao seu favor na Lei Orçamentária Anual do Município passa a ser de no mínimo 0,5% (meio por cento) da Receita de Impostos Sobre Serviços de Qualquer Natureza- ISSQN e sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana- IPTU. 

Anteriormente, a Lei obrigava o município a repassar 5% do ISSQN e do IPTU. Entretanto, o município não cumpriu  a lei alegando que o percentual inviabilizava a administração. É uma pena que esta alteração chegou tardia.

A forma de repasse dos recursos também foi modificada. Leia o Decreto 112/2012 que substitui o Decreto 090/2010.


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

EDITORIAL

“Pedro e Équio, Équio e Pedro. Quando se foram, perguntaram quem
assumiria agora a função de perpetuar o legado cênico.”
P.C.
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OUTRAS VELAS PRECISAM SER ACESAS

“O Curumim Invisível”, dirigida por Pedro Mattos (terceiro em pé da D. para E.
Na foto ainda estão: Rita Santana, Orlone, Fábio Lago, Esther Santana, Carmen e Pawlo Cidade. Agachados: Lelê, Paulo Rosário, Pona, Ivan Souto e Xandoca/Foto: Joãozinho Alaketo

O saudoso Pedro Mattos, ator e diretor de teatro, foi um incansável batalhador das Políticas Públicas de Cultura. Acredito que, se não fosse por sua insistência, performances e vigília, o Teatro Municipal de Ilhéus e o Circo Folias de Gabriela (e não “da Gabriela” como ele sempre corrigia) não teriam saído. Evidente que não tiro aqui a vontade política do governante municipal da época. É importante salientar que foi o único a construir os referidos espaços.

Pedro Mattos foi gestor do Circo e chegou a ser do Teatro. Passou por vários cargos na Fundação Cultural. Conhecia de cabo a rabo toda a sua estrutura, criava projetos, montava peças e brigava nas reuniões com os artistas. Seja no seu grupo, o CTT – Companhia Talentos da Terra, do qual tive a honra de participar e subir ao palco do Municipal pela primeira vez com a personagem Curupira; seja na SACI – Sociedade de Arte e Cultura de Ilhéus. Pedro tinha seus desejos, suas ideias, suas convicções. Porém, ficou nisso. Pedro ficou doente. Pedro morreu.

Depois, foi a vez do emblemático Équio Reis. Um figurinista de mão cheia. Um cenógrafo de tirar o chapéu. É fato que ele e Pedro chegaram a trabalhar juntos, na Fundação Cultural. Entretanto, cada um tinha suas idiossincrasias. E isto foi louvável até certo ponto. Presenciei arranca rabos entre ambos. No entanto, no final, tudo acaba em pizza e muita gargalhada. Équio, o homem do teatro, fundador do Teatro Vila Velha, de Salvador, ator, diretor, cenógrafo, figurinista, dramaturgo e também criador do Teatro Popular de Ilhéus foi gerente do Teatro Municipal e assumiu alguns cargos também na Fundação Cultural de Ilhéus.

Pedro e Équio, Équio e Pedro. Quando se foram, perguntaram quem assumiria agora a função de perpetuar o legado cênico. Quem continuaria despertando o interesse aos jovens pela arte de interpretar. Quem não deixaria morrer os ideais de uma política pública que não fosse excludente. Em meio as indagações, escrevendo, produzindo e dirigindo seus espetáculos, surgiu um jovem com vontade de acertar. E ele começou pelo Teatro Infantil com a humorada “A Piranha e o Baiacu”. É bem verdade que Pedro e Équio se foram muito depois dele começar a produzir e descobrir talentos nas escolas públicas. Isto causou indiferença, mas não o impediu de continuar. Este jovem autodidata percebeu que qualificação, compromisso e responsabilidade não podiam ficar de fora de sua profissionalização. E foi o que fez. Se profissionalizou, germinou e até hoje planta sementes. Talvez esta seja sua missão: plantar sementes.

Paralelo a tudo isso também surgiram outros jovens como Lamartine Ferreira, Justino Vianna, Padre Joelson Dias, Bruno Susmaga e Hermilo Menezes; depois, Romualdo Lisboa com a ideia propagada por Équio Reis que o negócio era teatro de grupo.
Hoje, estou como conselheiro estadual da Câmara Setorial de Teatro. E quero continuar contribuindo com a categoria como sempre fiz. Talvez não mais aqui. Já dei minha contribuição. Outras praças me esperam. Outros espaços precisam de novas vigílias. Outras velas precisam ser acesas.

Pawlo Cidade
Diretor Artístico 




terça-feira, 18 de dezembro de 2012

ESPAÇO CULTURAL CASA ABERTA APRESENTA



A Associação Filtro dos Sonhos promove em Ilhéus: CIRCUITO TELA VERDE - 4ª Mostra Nacional de Produção Audiovisual Independente. O CIRCUITO TELA VERDE é uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente, coordenada pela Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental e executada pelo Departamento de Educação Ambiental em parceria com a Secretaria de Audiovisual do Ministério da Cultura- Minc.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

EDITAL nº 002/2012 - FOMENTO SETORIAL PARA INSCRIÇÃO EM EDITAIS DA SECRETARIA ESTADUAL DE CULTURA POR ARTISTAS E/OU GRUPOS DO MUNICÍPIO DE ILHÉUS.


A Fundação Cultural de Ilhéus (FUNDACI), entidade vinculada à Prefeitura Municipal de Ilhéus, com fulcro no que dispõe a Lei Municipal nº 3.454, de 14 de Novembro de 2009 e o Decreto Municipal nº 90, de 04 de agosto de 2010 e o Conselho Municipal de Cultura torna público que realizará concurso para o provimento de recursos para inscrição via sedex com AR – Aviso de Recebimento, envelope bolha, confecção de portfólio, encadernação de formulários, cd e sua respectiva capa, nos Editais 2012 da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e suas unidades executoras. Esta única chamada contemplará propostas cujo cronograma de ações se inicia no período supracitado nos Editais da SECULT.

sábado, 15 de dezembro de 2012

EDITORIAL


“Coletividade não é apenas trabalhar com um grupo. Coletividade é abertura.
Permitir que outrem faça parte de suas atividades sem distinção. Os nichos criam umbigos.”
P.C.

http://images01.olx.com.br/ui/1/31/48/15782348_1.jpgO VERDADEIRO ARTISTA PENSA COLETIVAMENTE

Quais são os critérios que podem ser utilizados para que um artista possa ser identificado ou devidamente reconhecido por seus pares? Seu tempo de atuação na área? Sua reputação junto ao público? A qualidade artística do trabalho que ele realiza? Suas qualificações profissionais? Que mais podemos dizer? Talvez a capacidade de liderança ou de articulação também pudesse ser considerada na identificação. O fato é que, a forma pela qual se tenta criar critérios para que as próximas eleições do Conselho Municipal de Cultura sejam mais democráticas e limpas, tem se tornado palco de discussões na Comissão criada para este fim.

Quem mais, além dos próprios artistas, poderia criar estes critérios? Os produtores culturais e outros profissionais do ramo podem também contribuir se levarmos em conta que eles estão diretamente ligados as produções. E por que não a sociedade civil, principal consumidora dos produtos gerados pelos artistas? Afinal, construímos políticas públicas para a comunidade e não para os segmentos. Correto? O que se cria para os segmentos são planos de carreira, funções, planejamentos, estratégias.
Entretanto, há de se considerar que critérios são elementos muito subjetivos. Porém, ainda é a melhor forma de reconhecimento. Nem sempre quem se diz artista, o é. Talvez algumas virtudes pudessem ser observadas. E elas, certamente, seriam alvo de desqualificação ou qualificação dos artistas. Principalmente se considerarmos o princípio da humildade. Quantos artistas, produtores e gestores culturais têm um discurso e a prática é outra? Longe estou de apontar nomes. Eu feriria outro princípio extremamente importante: a Ética! E a ética, caros amigos, prezadas leitoras, muitas vezes passa despercebida no meio.
Por fim, ao tentar se criar uma condição para o reconhecimento oficial da classe, uma característica chama a atenção. Talvez ela não esteja estabelecida como um princípio ou até mesmo como elemento criterioso para a identificação. Contudo, há de se pensar no conceito de coletividade. Não no sentido de nichos. Apesar de nicho ter vários significados, sobretudo o de segmento de mercado, penso em nicho como ele é explicado a partir do meio ambiente. Explico: coletividade não é apenas trabalhar com um grupo. Coletividade é abertura. Permitir que outrem faça parte de suas atividades sem distinção. Os nichos criam umbigos. E não desejamos criar “umbigos”, queremos criar “cordões umbilicais” que se interliguem com outros cordões.
Assim, se o artista traz em sua concepção um sentimento de coletividade, de abertura, de capacidade de ouvir, já é caracterizado aí um artista inteiro. Como diz o radialista Vila Nova no seu tabuleiro todas as manhãs: “É isso que eu acho. É isso que eu penso.”




terça-feira, 11 de dezembro de 2012

REUNIÕES IMPORTANTES NESTA SEMANA

Duas reuniões importantes vão decidir os rumos da Cultura ilheense neste final de ano. A primeira é a do Conselho Municipal de Cultura que está marcada para amanhã, dia 11, às 16h00. Mas, até o momento não recebemos nenhum comunicado da diretoria do CMC. Na pauta está previsto a apresentação do projeto que irá qualificar vários agentes culturais nos dias 17, 18 e 19 de dezembro para participar dos editais abertos pela SECULT e apresentação dos critérios que definem a profissão de artista para as Câmaras Temáticas do Conselho de Cultura. Estes critérios são extramamentes importantes para definir o rumo das próximas eleições em março de 2013.

A outra reunião é a do FAEGSUL, na UESC, sexta-feira, dia 14, às 9h00, no auditório da Torre. Na oportunidade será apresentado o Plano de Trabalho do FAEGSUL para 2013. Entre as propostas estão o novo Curso de Gestão Cultural e a especialização em Gestão Cultural que a UESC irá oferecer.

Vamos comparecer e definir as políticas públicas que serão implementadas a partir destas reuniões.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A Cultura da Crítica de Artes Cênicas no Jornalismo


O Teatro Popular de Ilhéus promove o encontro “A Cultura da Crítica de Artes Cênicas no Jornalismo”. O objetivo é trocar informações sobre o exercício do jornalismo na cobertura de artes cênicas nos veículos impressos ou virtuais, perpassando as categorias reportagem, crítica e análise, tornando claro suas especificidades. E ainda partilhar ferramentas para análise dos principais elementos constitutivos da cena teatral segundo procedimentos jornalísticos basilares. A dramaturgia expandida (corpo, espaço) e a não representação são algumas das estratégias criativas contemporâneas a contracenar com as tradições do drama cuja força nunca cessa.

Segundo a assessoria de imprensa é basilar introduzir a história e o exercício da crítica. Propomos investigar uma anatomia do crítico: o sentido do seu trabalho, a vinculação com o objeto de estudo, em que medida colocar-se no lugar do outro. As demandas éticas e ideológicas do ofício desde os primeiros passos da formação e profissionalização da categoria artística, nos anos 1940, até os dias que correm.